Fomos enganados


Quem está próximo dos 50 anos não se dá conta, muitas vezes, que a idade da aposentadoria está chegando. E os que se dão conta começam a ficar preocupados, pois percebem a armadilha em que se transformou a previdência social. A crise, é verdade, não é de hoje, começou quando o governo federal utilizou a parte que era de sua responsabilidade na construção de Brasília. De lá para cá, muitas mudanças aconteceram, inclusive a que hoje está em vigor, em que a contribuição é parte do trabalhador e parte do empregador.

Até aí, nada demais, se governos recentes não resolvessem mudar as normas ao seu gosto. Quem trabalha há 30 ou 35 anos, usou a “carteira de trabalho de menor” e esperava que a contribuição por 35 anos, para o homem, e 30, para a mulher, daria a segurança de uma aposentadoria serena e certeira.

O empregado e o empregador cumpriram com a sua parte. O governo não. Passou a achatar os salários de quem criou a expectativa justa de que poderiam manter um nível semelhante de vida, ao deixar de trabalhar. Errou: perdeu qualidade de vida e não pode deixar de trabalhar. Ocupa vaga que poderia estar nas mãos de pessoas mais novas. E desfrutando do merecido descanso!

Além dos escândalos onde se desviam milhões de reais – sem que até agora (eu, ao menos) se tenha sabido do retorno destes recursos aos cofres públicos – ainda foram criados direitos previdenciários para pessoas que nunca, ou muito pouco, contribuíram para a criação deste fundo. Nada contra que o governo beneficie categorias sociais em situação difíceis, o problema é que, ao criar a despesa, tem que encontrar fonte para cobrir o gasto. Não pode ser a mesma daqueles que já estavam no “jogo”, crentes de que o prometido seria cumprido. Sem falar nos “privilegiados” dos três poderes da república que mantêm vencimentos superiores, à custa do mesmo erário.

Fomos enganados. Vemos profissionais que trabalharam uma vida inteira, crentes de que poderiam contar com os investimentos feitos no teto previdenciário. Os diversos truques do governo minguaram estes benefícios, ao ponto deles não representarem nem um terço do que lhes era devido!

O caminho da aposentadoria é o mesmo do martírio. Quando as carências são maiores, pois sem forças e expressão política, os idosos são espoliados. É bom que os mais novos se preocupem, pois se não cumpriram o que lhes foi prometido, também não cumprirão para as novas gerações. E já temos problemas demais para judiar, também, com os nossos idosos.