Fugindo das ruas


Não há sol.

As sombras, junto com a neblina,

dão aparência confusa,

às formas

que teimam em se deslocar nas ruas.

 

Uma árvore dormita

no silêncio daqueles

que se encolhem,

aconchegam-se para fugir

ao frio e aos pingos da manhã,

rebeldes a se envolverem

com cabelos, rostos, roupas.

 

Os vidros embaçados

tornam o mundo

ainda mais distante.

 

O frio consegue me atingir.

Quero cerrar os olhos,

mas, mesmo assim,

há neblina

que tolda o meu ser,

Entristece-me.

Não quero mais voltar às ruas.