Homicidas do Brasil


Embora sendo estudante de Comunicação, não identifico quem é o garoto que desenvolveu, na Internet, uma rede chamada de Homicidas do Brasil. Mas, creio, a preocupação que a sociedade tem em identificá-lo e puni-lo é saudável. Mas não basta.

Na verdade, este rapaz pensou estar fazendo uma brincadeira, mesmo que seja de extremo mau gosto. Com certeza é um daqueles que gasta seu tempo, possivelmente na madrugada, para encontrar quem lhe dê atenção, ainda que seja alimentando uma fantasia mórbida.

Ele e seus companheiros de diálogo sabem que estão brincando quando anunciam que mataram colega, pensam em liquidar com a mãe, ou pedem receita para o “crime perfeito”. Mas e os outros? Quantos garotos estão esperando apenas um “incentivo” para saírem disparando contra pais, irmãos, “amigos”, porque julgam que estão acabando com um problema.

Tive que traçar um paralelo com outra notícia que divulgava o alto número de trotes que a brigada militar e o corpo de bombeiros sofrem. Num deles, quem atendeu ouviu uma voz, ao fundo, que incentivava uma criança: “fala alguma coisa, filho!” E desligaram.

Um pai que permite ou incentiva este tipo de atividade está dando condições para que a criança desenvolva mal o seu caráter. E, infelizmente, este tipo de influência é nefasta, pois marca para o resto da vida.

Sei que, hoje, os pais estão cheios de atividades e não podem acompanhar os filhos em todas as suas atividades. Mas isto não permite que se dê maus exemplos, ou que se negue um ombro amigo para um filho quando necessário. O bom seria que sempre o ombro estivesse mais do que disponível, junto ao filho!

Possivelmente, foi o que faltou ao criador dos Homicidas do Brasil. Sem ter alguém que gaste um pouco de tempo com ele, o que restou foi “brincar” com um tema sério, pela Internet.

Para o meu gosto, ele merece ser punido, porque vive em sociedade, onde necessitamos de regras para o convívio social. Mas também precisa ser ajudado, porque a noção de respeito para com o outro está confusa.

A pergunta que fica é: Mas só ele? Qual é a nossa parcela de responsabilidade, enquanto pais e educadores? Porque ela existe. E não pode ser negada ou atirada sobre os ombros de outros.