Humanizar a humanidade


A grande marca de 2009, infelizmente, não é positiva. Embora todos os avanços técnicos e econômicos, assistimos à degradação em todos os sentidos: valores e referências, populações marginalizadas e o aumento do uso de drogas, que desenham um quadro preocupante.

Miro Saldanha, na música Pilares, fala dos valores que gostaria de transmitir aos filhos. Entre eles, a fé, necessária, assim como a preservação da vida, do meio-ambiente e tantos outros aos quais nos acostumamos vendo nossas referências – pais, tios, avós, padrinhos etc. Especialmente os meios de comunicação – televisão, por excelência – dizem que reproduzem a vida, mas que “vida”? Aquela gerada em seus estúdios, onde o sonho vira realidade relativizando relações familiares e relações sociais.

Uma parcela significativa da população está em estado de estupor. Entrou na zona de pobreza, ou de indigência, e perdeu, até, a capacidade de se indignar. Acha que “as coisas são assim”, “sempre foram”, “é a vontade de Deus”. Pobre de Deus! Tem que responder por aquilo que os homens fizeram. E mal. Descuidando o que é mais elementar: se Deus é Pai, somos filhos. E aqui Ele não diz isto figurativamente, mas como expressão da sua vontade de solucionar problemas. Afinal, quem é que não procura solucionar o problema de seus irmãos? Nós, raça humana, que passamos a ver nos “prazeres da vida” a razão de uma existência.

E é aí que se justificam as drogas. Elas não só dão “prazer”, como tiram o foco da realidade. Na verdade, “desfocam” a realidade, para que não se precise olhar de frente a realidade. Hordas de jovens e crianças embarcam nesta canoa furada acabando com o próprio futuro, tendo o olhar complacente dos que abdicam de ser pais, mestres, por uma posição atordoada diante de uma realidade que também são incapazes de enfrentar.

Se estes são os problemas, quais são as soluções? A Igreja Católica precisa ser presença ativa num mundo que sonha encontrar Jesus. O Jesus homem e humanizador, capaz de se emocionar diante da morte de Lázaro e de acolher pecadores, mulheres e crianças. Que seja esta a nossa jornada: andar nos caminhos de Jesus, no carinho e na acolhida de quem sabe que não há receitas, mas fidelidade à Palavra. Palavra que nos deixa marcas, capazes de alcançar a esperança àqueles que se sentem sozinhos e abandonados pela própria vida.