Incentivo à cultura


Em tempos nos quais a população está cortando não mais a gordura – supérfluos - mas sim na carne – elementos básicos da alimentação, pode parecer esnobismo falar em incentivo à cultura.

Mas não é. Acompanho, atentamente, toda a movimentação que é feita para que se valorize e recupere o que é expressão da cultura, num espectro que vai desde o popular – como manifestações tradicionalistas, passando pela preservação do patrimônio histórico, até um bom e gostoso concerto de música, que agrade a qualquer gosto.

Mas, neste momento, um dos poucos acertos políticos que distribuiu eqüitativamente os recursos entre grandes centros e cidades de médio e pequeno porte está ameaçado de desaparecer: a Lei de Incentivo à Cultura.

Beatriz Araújo saiu em defesa da necessidade de sobrevivência desta lei e, nas palestras que faz, enfatiza dois pontos: a cultura como forma de salvar as populações da barbárie (não é ela que leva às guerras, ao contrário, sempre aproxima os povos) e a falácia de se afirmar que ela pode incentivar a chamada guerra fiscal – estados tentando estimular investimentos por meios não muito claros, em suas áreas territoriais.

Quando a reforma tributária exclui a Lei de Incentivo à Cultura, ela está expondo toda a sua incapacidade de representar, efetivamente, os anseios de uma nação.

Os movimentos artísticos, especialmente do Rio Grande do Sul, estão imbuídos do espírito de resistir. Sabem que não é a cultura quem alimenta a barriga do homem, que lhe dá segurança, saúde, educação. Mas é a cultura que sublima a existência. Torna menos difícil a relação entre as pessoas, porque lhes dá uma nova e mais ampla perspectiva de vida.

O Movimento do Artista Plástico de Pelotas – MAPP, dirigido pela Graça Antunes, fez circular uma correspondência endereçada ao relator da reforma tributária, solicitando que este ponto fosse revisto. Creio que é um dever de todos os que lidam com o ensino e a cultura estar solidário nesta causa.

Ainda existe esperança. A pressão parece que está surtindo efeito. Então, não deixe de prestar atenção. Se tiver chance, converse a respeito com as pessoas de seu círculo de convivência, alerte seu vereador para o problema, tente saber o que seu deputado pensa a respeito. Nossas manifestações culturais são a expressão da alma de um povo. Não sendo incentivada, tolda horizontes e se apaga um jeito que é nosso de viver.