Vamos "adorar" Madre Paulina?


Todos os meios de comunicação destacaram o anúncio feito pelo Vaticano de que a irmã Paulina de Coração Agonizante de Jesus será a primeira santa brasileira a ser canonizada. A partir de agora, poder ter sua imagem (estátua, pintura, ou outras representações) colocada em nossos altares e receber a devida veneração.

Para nós, brasileiros e católicos, esta é uma boa notícia. O Brasil já tem uma lista bem significativa de pessoas que estão merecendo o reconhecimento por parte da Igreja de seus méritos, alcançado com muita luta, sofrimento e, em muitos casos, enfrentamento com autoridades da época, para cumprir seu papel social e religioso.

O próprio papa João Paulo 2º reconheceu que o Brasil precisava de santos para sua veneração. E aí surge um momento oportuno para levantar uma questão que preocupa - e muito - as pessoas mais simples que participam de nossas comunidades. Por oportunismo, alguns dirigentes de seitas têm dito que os católicos “adoram” seus santos. Sabem que estão criando confusão e que podem, com isto, tirar dividendos.

Os católicos não “adoram” seus santos. Eles são muito importantes como exemplos de virtudes necessárias à nossa vida diária. Os grandes santos não fizeram de sua vida no dia a dia um desfile de luxo ou um multishow capaz de chamar a atenção da grande mídia. Ao contrário, vivendo em silêncio e se dedicando ao trabalho mais simples, foi na capacidade de oração e de testemunho que se transformaram em exemplos para todos nós.

Gostei muito de um artigo do padre Zezinho – que muitos o lembram por suas músicas - onde conta ter sido convidado para um jantar, junto com alguns pastores, na casa de uma recém convertida a uma outra igreja.

Assim que teve chances, ela perguntou: "- Por que vocês, católicos, adoram imagens? Disse que ela estava enganada. Eu sou católico e não adoro imagens!... Foi irônica e disse: -Os ladrões também dizem que não roubam, mas roubam. Alguns riram. Quem me conhece sabe que sou ecumênico e quero bem os irmãos de outras igrejas, mas não admito ofensas à minha Igreja. Olharam-me curiosos para ver o que eu responderia. Esperei o silêncio para dizer: -Lindo este seu faqueiro de prata. Vejo que a senhora tem pelo menos 100 facas afiadas em sua cozinha. Nem por isso é uma assassina. Imagino que jamais as usou de maneira errada. Pelo jeito aprendeu o que fazer com suas facas. Sou exatamente como a senhora. Eu também tenho várias imagens na minha igreja e na minha casa e nem por isso sou idólatra. Eu sei o que fazer com minhas imagens e com minha Bíblia. É tudo questão de cultura e de bom senso. Sabendo usar a gente pode ter. Quem não sabe usar é melhor não ter".

Pois vai ser assim com a Madre Paulina. Quem acompanhou as notícias pelos jornais, rádio e tv soube que a fundadora da ordem das Irmãzinhas da Imaculada Conceição teve uma vida difícil. Depois de ter sido madre, por sua postura humilde e serviçal, foi destituída de seu cargo e entregue aos serviços mais simples. Nada a demoveu. Perseverou no propósito de sua congregação, trabalhando em hospitais, com os mais variados tipos de doentes.

E é este o seu maior exemplo em pleno início do terceiro milênio: ainda há muito espaço para o trabalho pelo outro. Especialmente para quem tem a visão de que somos motivados por nossa fé. Uma fé que, hoje, está robustecida pela carinhosa presença de Madre Paulina - agora oficialmente, já que antes tivera o reconhecimento do povo - como a santa que nos aponta caminhos para Deus.