Maria dos sonhos


Maria de Nazaré tinha uma característica fundamental: a capacidade de alimentar sonhos. Mesmo que tenha sido difícil, aprendeu a ser tolerante com Deus (imaginem, naquele tempo, ter aceitado que seria, virgem, a Mãe do Salvador!) e Deus acabou sendo ainda mais tolerante com ela, pois Lhe deu a sublime tarefa de “Mãe das Mães”.

Foi por este motivo que ela desistiu de enquadrá-lo em qualquer definição e contentou-se em vivê-lo. E Ele lhe ensinou algo muito precioso: se você tiver um sonho, você pode ser feliz pela capacidade que um sonho tem de se reproduzir. Mas não decepcione quem já não sonha. Ele precisa compartilhar de um sonho e, só então, poderá gestar os seus.

E foi seu Filho, como ressuscitado, que realizou plenamente esta tarefa, exatamente porque partilhou sonhos e apontou, para aqueles que estavam embotados - homens empedernidos - a beleza de ter, no horizonte, uma luz a ser alcançada.

Querer a fé, a esperança e a caridade são um grande sonho. O sonho de toda a humanidade. O sonho que o Ressuscitado plantou em nós.

Não temos o direito de negar o nosso sim.

É preciso ter uma mãe, como Maria, para se perceber que Ele mesmo vê, em muitas ocasiões, que somos crianças que apenas balbuciam um sim, incapazes não só de articular as palavras, mas de fazer com que nossos corpos efetivem o sim.

Como mulher, Maria dá às mulheres a sensibilidade para fazer com que Deus sinta que nós, na fragilidade da criança que mal se equilibra e que estende suas mãos sorrindo, mesmo não entendendo tudo, temos a confiança de quem vislumbra um sonho.

Apostemos na necessidade de redescobrir valores básicos: convivência com respeito mútuo e muito, muito amor a ser compartilhado. E quem melhor para nos passar esta lição do que aquelas mulheres que alimentam nossos sonhos e que chamamos de mães?