Marketing Político


Marketing Político

O Marketing Político nas eleições majoritárias municipais. Campanhas eleitorais majoritárias em Pelotas: trabalho de marketing ou de “marqueteiros”?

Colaborador: Fábio Cruz – Mestre – Escola de Comunicação Social

Introdução:

Tema da pesquisa: Como é trabalhado o Marketing Político nas eleições majoritárias municipais. As campanhas eleitorais majoritárias em Pelotas possuem trabalho de marketing ou de “marqueteiros”?

Problema de pesquisa:  Sendo um ramo do conhecimento relativamente recente em nosso meio, o Marketing Político ainda possui áreas que precisam ser delimitadas, especialmente na zona sul do estado - com sua realidade histórica, social, econômica e cultural - onde “maioria silenciosa” influencia e é influenciada nas campanhas eleitorais, tanto pelos grupos sociais que estão no poder, quanto pelos profissionais do Marketing Político e pelos "marqueteiros".

 Hipóteses:

- O Marketing Político é uma atividade recente, em especial para os profissionais de Comunicação que atuam no interior. Embora a busca da profissionalização, ainda existem variáveis locais que causam ingerência na definição de seu modo de atuar. A atuação dos profissionais de Comunicação configura-se como de Marketing Político ou “marqueteiros de ocasião”?

- A zona sul é uma das mais tradicionais do Estado. A base econômica, política e cultural gira em torno de grupos que, historicamente, controlam seus setores. A expansão da base universitária estaria colocando em dúvida esta predominância, em especial, alimentando a esquerda, aspas, mais esclarecida. De que forma a realidade histórica, social, econômica e cultural influencia no desempenho das campanhas eleitorais majoritárias, em nível de município?

- Entre as “classes dominantes” e uma tendência da classe média de cair nos braços da esquerda, ficariam as “massas silenciosas”. Aquela parte da população que mantém os radares das campanhas antenados. A “maioria silenciosa” influencia e é influenciada, de que forma, numa campanha eleitoral?

Objetivos:

A pesquisa pretende estudar a realidade específica de Pelotas da aplicação dos recursos do Marketing Político e que variáveis – históricas, sociais, culturais e econômicas – poderão influir na alteração de seus rumos.

Embora o Marketing trabalhe com definições precisas, os fatores locais acabam influenciando e precisam ser conhecidos. Conhecer as nuances desta atividade, em especial em localidades onde sua aplicação é relativamente recente.

Do embate entre as forças políticas locais com a necessidade de buscar novos recursos para as campanhas – em especial o Marketing Político – como acaba se refletindo junto à população.  

Justificativa:

Segundo Rego (1985: 23), “o Marketing Político é um esforço planejado para se cultivar a atenção, o interesse e a preferência de um mercado de eleitores, é o caminho seguro para o sucesso de quem deseja vencer na política”.

Para entender como este processo influenciou nas recentes eleições é que se julga conveniente o estudo que poderá aprofundar o conhecimento da atuação dos profissionais de comunicação no processo.

A Campanha para eleger o prefeito de Pelotas em 2000 teve lances de estratégia política e ações sem qualquer planejamento, no mais puro “achômetro”.

As duas candidaturas que foram para o segundo turno – Frente Popular (PT e PSB) e Novo Tempo (PPB, PL e PFL) – fizeram uma disputa em que se misturavam elementos de ponta da tecnologia, com o mais puro “fofoquismo bairrista”, digno de comunidades interioranas.

A candidatura da Frente Popular vinha sendo alinhavada desde a eleição anterior. Já a de Um novo Tempo surgiu como um lance inesperado (de Marketing?) da direção local do PPB, que via, nos candidatos “oficiais”, poucas condições, sequer de chegar a um segundo turno. O lançamento de uma mulher, sem qualquer atividade em cargo público eletivo, até então, encaminhou a eleição para patamares que surpreenderam as demais candidaturas.

Embora as militâncias tivessem tomados as ruas – de forma espontânea ou paga – os partidos mantinham-se alertas ao que se convencionou chamar de “maioria silenciosa”. Uma parcela da população que não expressa previamente seu voto e se mantém afastada das demonstrações políticas coletivas.

A justificar tal estudo poderiam estar três tópicos:

- Buscar nas raízes históricas a explicação para certas formas de atuação na campanha eleitoral, inclusive das estratégias de comunicação;

- A forma como o agendamento pode trabalhar, neste caso, em especial no que se refere à premência de tempo como são realizadas as ações eleitorais;

- As dificuldades de atuação quando certos públicos – em especial a chamada “maioria silenciosa” – levam algum tempo até refletir as informações que são repassadas.

Importância:

Em seu livro “A Regra do Jogo”, Cláudio Abramo diz que o “jornalista deve ter uma formação cultural sólida e tem que saber muito bem algumas coisas. Ele deve saber história, saber como funciona seu país, a máquina do país, as relações na sociedade”(ABRAMO, 1988, 249). Pensando no processo eleitoral acontecido quando das eleições municipais 2000, na majoritária, ficou claro que a análise do embate não poderia se restringir ao fenômeno ocorrido em outubro daquele ano. Para se ter uma idéia do confronto entre a esquerda – alinhada em torno da “Frente Popular” – e a direita, em torno da aliança “Por um Novo Tempo”, existe a necessidade de se vasculhar na história e recuperar uma parte da nossa memória que ainda não “descansa em paz”.

Por este mesmo motivo é que, um olhar de ocasião, poderia dar uma leitura deveras simplista. Diversos elementos históricos poderiam ajudar a entender esta polarização – a opção por uma agricultura e uma pecuária extensiva; o fechamento do Banco Pelotense; a baixa representatividade política e os elementos culturais que ali se concentraram.

Porque simplista? Em 1976, Irajá Andara Rodrigues (MDB – Movimento Democrático Brasileiro) quebrou a hegemonia da ARENA (Aliança Renovadora Nacional) de mandatos oriundos de nomeações e eleições. Seguiu Bernardo de Souza (MDB – 1983 a 1986 – completou seu mandato José Maria Carvalho da Silva, também MDB, 1987-1988); Anselmo Rodrigues (PDT – Partido Democrático Trabalhista - 1989 a 1992); Irajá Andara Rodrigues (agora pelo PMDB, 1993 a 1996 – ao MDB, foi acrescentado Partido) e Anselmo Rodrigues (1997 a 2000, pelo PDT). Foram 25 anos em que não conseguiram reverter a situação de estagnação em que foi jogada a “Princesa do Sul”. No entanto, todos os partidos se consideram de esquerda.

Então, como pode se dizer que a esquerda chegou ao poder apenas em 2000? Acontece que, neste ano, finalmente, polarizou-se o clássico antagonismo entre direita (PPB – Partido Progressista Brasileiro e PFL – Partido da Frente Liberal, ambos sucedâneos da ARENA) e a esquerda (PT – Partido dos Trabalhadores e PSB – Partido Socialista Brasileiro).

Conhecendo esta realidade, poderemos produzir em três áreas:

-        Artigos que possam refletir a respeito da questão política em Pelotas, vista pela ótica do construir campanha eleitoral;

-        Seminários que possam discutir a pesquisa, seja em seu andamento, seja com seus resultados;

-        O oferecimento de um curso de extensão em Marketing Político, onde poderia ser posto em prática o instrumental que a Comunicação oferece para esta área.

 

Seu trabalho sistematizaria o fruto de um estudo teórico e da aplicação de instrumentos de pesquisa junto a três públicos:

-        Profissionais de Comunicação;

-        Profissionais envolvidos com a política partidária;

-        Público genérico (população em geral ou público específico – tipo público universitário).

2.12. Referências Bibliográficas:

ABRAMO, Cláudio. A Regra do Jogo. São Paulo. Companhia das Letras, 1988.

COBRA, Marcos. Marketing Essencial. Conceitos, estratégias e controle. São Paulo. Atlas, 1985.

HOLFELDT, Antônio. Os estudos sobre a hipótese de agendamento. Revista Famecos, Porto Alegre, n 7, 42-51, novembro. 1997.

KUNTZ, Ronald A. Manual de campanha eleitoral: marketing político. São Paulo, Global, 1986.

MANHANELLI, Carlos. A  Estratégias eleitorais: marketing político. São Paulo. Summus, 1988.

MATTELART, Armand e Michèle. História das Teorias da Comunicação. São Paulo. Edições Loyola, 1999.

REGO, Francisco Gaudêncio do. Marketing político e governamental: um roteiro para campanhas políticas e estratégias de comunicação. São Paulo. Summus, 1985.

TOMAZELI, Luiz Carlos. Marketing Político. Porto Alegre. Mercado Aberto, 1988.