Mistura que não dá certo


Uma atriz “americana” utilizou, durante anos, num programa de humor, um bordão: “brasileiro ser tão bonzinho!” É o que o governo federal pretende: recompensar com certa quantia em dinheiro alunos que passem de ano! Não vou discutir o papel do estado no segundo grau e em nível superior, porque, então, não seria apenas um artigo, mas um tratado! Há um grande equívoco: governos não existem para serem “bonzinhos”; professores não existem para serem “bonzinhos”, pais não existem para serem “bonzinhos”.

A precariedade das estruturas hoje, em nível material – prédios, salas de aula, laboratórios, bibliotecas, ginásios, áreas para cultura e lazer; a falta de valorização e de preparação adequada de pessoal – em todos os níveis: professores, técnicos, equipes de manutenção e serviços; e a ausência de uma proposta pedagógica capaz de convencer e motivar todos os envolvidos no processo, fazem do que temos hoje o quadro da dor!

Também, não podemos inocentar os profissionais da educação e as famílias. Existem problemas e graves. Uma “nova educação” demandaria uma “reciclagem” de professores e funcionários, comprometimento das famílias, adequação das estruturas físicas (que deveria oferecer atendimento em tempo integral, alternando turnos em sala de aula e atividades esportivas, de cultura e lazer).

Governos não são contratados com o voto do povo para serem “bonzinhos” e misturar dinheiro e educação não vai dar certo. Não da forma como está se pretendendo. Há boas e sérias propostas educacionais sendo discutidas, mas enquanto o governo federal quer se mostrar como o “bonzinho”, estados e municípios estão à míngua e não conseguem, sequer, o elementar: quadros completos de profissionais e manutenção básica das estruturas físicas. Enquanto, nestes níveis, a cobrança é constante e próxima, o executivo federal, encastelado distante da realidade, apresenta proposta que faz o terror de qualquer um que tenha o mínimo de senso de responsabilidade diante da educação.

Vamos falar sério: todos querem que crianças e jovens tenham o que existe de melhor para a sua formação. Infelizmente, o que acontece há alguns anos é que as estruturas públicas estão se deteriorando! Não há mágica, mas ação e cobrança: anualmente, aumentar as verbas para a educação e a justa destinação de cada real - pavimentando o caminho do conhecimento e dando um futuro digno, sem a necessidade de iniciar com barganha por cada ano de aprovação.