O diploma de jornalista


O Poder Judiciário vai julgar a necessidade de diploma para o exercício do Jornalismo. Aqueles que são contra argumentam que, ao se limitar o direito apenas àqueles que obtêm curso superior, está se “restringindo a liberdade de expressão”. De tudo o que tenho ouvido, fica claro que existem interesses no mínimo escusos para tal defesa. A quem interessa o aviltamento de um setor tão importante na atualidade, capaz de fazer denúncias no quarto mundo (nosso caso), com os “castelos” e benefícios parlamentares, assim como no primeiro (Inglaterra), onde o jornalismo desnudou as entranhas do Parlamento?

Embora não possamos dizer que temos uma formação por excelência (mas que habilitação a tem?), sabemos que é melhor ter um profissional formado, do que alguém que pura e simplesmente faz um bico em jornalismo vindo das mais diferentes áreas, como o era antigamente, quando escritores, professores, advogados, das áreas de humanas ou sociais, completavam seus vencimentos escrevendo para os jornais.

Alerto que outras profissões poderão correr perigo: se advogados podem atuar como jornalistas, porque é eu não posso advogar? Tenho um bom raciocínio, sei formular claramente minha argumentação, saberia fazer uma boa defesa diante de um júri. Então, porque não posso advogar? Outra: Se tenho boa argumentação, sei dar bons conselhos, tenho sensibilidade para entender as mazelas e os sofrimentos da raça humana, porque não posso ser psicólogo? O raciocínio é o mesmo, assim como para diversas outras áreas.

Esta é uma questão séria, numa sociedade que está com pouco mais de vinte anos de democracia. E, na situação atual, com tantos desmandos e escândalos, com a população partindo para a indiferença, somente os meios de comunicação – dos grandes aos nanicos – conseguem balançar as consciências. Sendo assim, argumentar que a profissão já é exercida livremente nos Estados Unidos e Europa é meia verdade. Lá, os conselhos e sindicatos são fortes o suficiente para impedir que pessoas desqualificadas ocupem postos jornalísticos.

Precisamos que o Poder Judiciário reconheça o direito de exercício de uma profissão que deseja manter a dignidade e exercer um papel fundamental na atualidade: em nome do cidadão, fiscalizar o estado e mostrar as suas mazelas, quando necessário. Talvez esteja exatamente aí o problema. Se for assim, é hora da sociedade se mobilizar, porque ela também corre perigo.