O que saiu das urnas


As eleições do dia 2 de outubro já permitem que se façam algumas avaliações. Uma delas diz respeito à humildade que é preciso ter diante das urnas. Ao menos em três instâncias: presidência da República, governo do Estado e Senado Federal, os resultados não foram bem aqueles que eram esperados.

O governo do presidente Lula que, a cerca de um mês, não via ninguém no seu horizonte, tropeçou numa série de escândalos que o levou a se afastar do seu partido. Mesmo assim, a não ser nos últimos dias, ninguém acreditaria em segundo turno.

Pois deu segundo turno para a presidência e as estratégias vão ter que mudar e vamos ter mais tempo para saber o que efetivamente aconteceu nestas investigações que estão sendo feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Para o governo do Estado, ainda há queixos que não voltaram para o lugar. Considerado imbatível – mesmo indo para o segundo turno – o governador Rigotto foi superado por Yeda Crusius, que amargava um terceiro lugar e tinha sérios problemas de campanha, e por Olívio Dutra, que volta a se candidatar ao Piratini.

Nenhuma pesquisa - dos institutos considerados grandes - apontava para esta possibilidade. Novamente, as urnas deram um sinal de alerta: cuidado àqueles que se consideram imbatíveis!

Enfim, o senador Pedro Simon recebeu um novo mandato para o Senado. Vai ficar naquela casa legislativa até os seus 82 anos (um excesso, me parece). Mas não foi sem algum susto.

Também neste caso, as pesquisas davam franco favoritismo e se viu, quando os números apareceram, um segundo colocado não tão longe assim. Pena, para Rosseto, é que, para o senado, não há segundo turno!

Embora possa parecer que a população está descrente – e de fato está – a sinalização dada aos políticos é muito séria: na maior parte das vezes não são os adversários que os derrotam, mas a própria soberba!

A existência de segundo turno; o desaparecimento da representação de alguns partidos, que não atingiram votação suficiente; mais a reforma política que o atual governo federal e o Congresso não se animaram a fazer, dão fortes indícios de que, pela frente, temos mudanças.

Não me atrevo a dizer se serão boas ou não. Vai depender, em muito, do grau de envolvimento de todos nós com os eleitos. Disse em outro artigo que o voto é o início, não o fim do processo. Pois é, estamos apenas começando. Mas que os políticos levaram um belo susto, isto levaram!