O sentido da própria vida


Ele, um amigo de longa data; ela, quase irmã de toda a vida. Ele, capaz de transmitir paz e tranqüilidade em situações de trabalho, ou no convívio de família, mesmo em momentos conturbados; ela, a segurança e a certeza de braços amigos recebendo em momentos difíceis, nos retornos e nas despedidas. Em ambos os casos, algo em comum: a luta pela vida. Superar o que o corpo acaba fazendo como uma traição a muitas esperanças: o surgimento e o desenvolvimento de um câncer.

Quando os ouço falar a respeito daquilo que estão enfrentando, tenho uma certeza: amam a vida, não temem a morte, mas não querem morrer! Com toda a tenacidade possível, querem dar outro sentido àquilo que entenderam como missão: deixam de lado o próprio sofrimento, porque sabem que existe algo maior no que fazem por suas famílias, na interação com os amigos ou mesmo no papel que ocupam na vivência em sociedade.

Ele, embora receoso do que pode lhe reservar o futuro, cuida dos filhos e levou a filha ao altar, com um olhar de esperança e de dignidade que parecia superar aquele momento fugaz para se tornar uma intenção de futuro. Ela, acompanha o filho com síndrome de down e tenta fazer com que ele não desanime e não tenha preocupações com a sua doença, acabou doando cada momento do seu dia a dia para dar sentido àquele que restou como sua companhia.

Fico olhando para as pessoas que reclamam de tudo aquilo que a vida possa lhe dar: porque perderam cabelos, porque tiveram alguém afastado pelo trabalho, porque não receberam o que julgavam ser a devida atenção. Em suma, orbitaram em torno do próprio umbigo. E vejo que meus amigos qualificam o tempo que têm de vida exatamente por este motivo: foram capazes de ver que a vida se constrói quando nos esquecemos de nós mesmos!

Esta não é a pretensão de uma homenagem. Eles não precisam. Esta é uma lição de que, em qualquer momento, em qualquer idade, a vida perde o sentido quando fica restrita a atender as nossas exigências e manhas. Mesmo o sentido da fé, está em deixarmos de pedir, para podermos agradecer; em deixar de rezar por si mesmo, para rezar pelo outro; em não querer um deus serviçal, para entender a beleza do Deus que nos alcança a sua própria graça!

Sou grato por meus amigos. Talvez não tenha com eles o convívio e o carinho que merecem. Mas minhas orações são para que eu também possa entender o sentido dado por Deus para as suas próprias vidas.