O direito à segurança


Se nos últimos tempos a segurança já era uma das grandes preocupações do dia a dia do cidadão, a partir do que aconteceu recentemente, com os atentados em via pública no estado de São Paulo, tornou-se ainda pior.

Ficou claro que, além da preocupação com os marginais que andam à solta e acuando a população atrás de cercas e de engenhosos – e caros - artefatos de segurança, também é necessária a preocupação com as autoridades, que se mostraram despreparadas para o enfrentamento.

As forças de segurança são, hoje, incapazes de acabar com o crime, que se mostrou bem mais organizado e aparelhado. Em todos os sentidos: motivação, equipamentos e inteligência. Entendendo-se a última como a capacidade de receber, organizar e fazer circular os dados necessários para a sua ação, através de sofisticados sistemas de comunicação.

Desde as autoridades maiores – como o próprio governador de São Paulo – o que se viu foi uma saraivada de disparates que, ao invés de acalmar a população, a deixava mais preocupada. E com razão, porque sabia que não era verdade o que estava sendo dito.

E ainda tinha o jogo político. Muitos pronunciamentos poderiam ter sido evitados, valendo a máxima de que: “se não tem nada de bom para dizer, não diga nada!” Provocações, feitas em tom de aconselhamento ou de auxílio que não se concretizaria, acabam acirrando ainda mais os ânimos.

Num estado em que a polícia é considerada uma das mais violentas do país, restaram muitos mortos, supostamente integrantes dos grupos que executaram os atentados. Se realmente foi assim, porque até agora suas fichas e registros policiais não foram publicados para que se tivesse uma clara idéia de toda a verdade?

Infelizmente, vivemos um tempo de paradoxo e de incredulidade. Paradoxo porque, na periferia das grandes cidades, os cidadãos já estão fazendo acertos com os próprios bandidos, na luta feroz pela própria sobrevivência. E incredulidade, porque não pensávamos que chegaríamos a viver um tempo em que a corrupção, o tráfego de influência e o apropriar-se indevidamente de recursos públicos se tornaria uma realidade.

Pena. Este precisa ser um momento de indignação. Uma santa e brava indignação que nos leve a pensar seriamente sobre aqueles que elegemos e que, além de promessas, não nos deram nada de melhor. Bem ao contrário, jogaram-nos na atual situação. Sem nenhum indicativo de, a curto e médio prazo, poderemos ter um retorno.