Opção partidária


Ao percorrermos as páginas dos jornais e os noticiários, é possível constatar que as primeiras articulações políticas em torno da eleição municipal do próximo ano já começam a ser realizadas. Se elas estão começando a se tornar públicas é porque, há algum tempo, já estão acontecendo nos bastidores.

Neste momento, as lideranças partidárias estão se dando conta de um detalhe: a necessidade de preparação de lideranças para enfrentar os tempos que estamos vivendo. São raros os partidos que preparam, sistematicamente, seus quadros e, mesmo os que preparam, não conseguem consenso sobre a forma de fazê-lo.

Nas recentes articulações pode-se perceber o avanço de algumas instituições políticas. Infelizmente, outras ficaram para trás e, entre os tradicionais quadros de praticamente todo o século passado e o momento atual, deixaram um hiato que precisa, urgentemente, ser ocupado.

O discurso conservador (não importa se na esquerda ou se na direita) causa apenas cansaço numa população que, hoje, só vota porque é obrigada. Embora estes dados não sejam devidamente analisados, o índice dos votos em branco e nulo é considerável, superando a escolha de muitos candidatos. E capaz de fazer diferença em muitas eleições.

Mas, voltando à preparação de novos quadros, o que é que há de errado? A falta de sintonia entre as propostas apresentadas e os tempos vividos. Não basta apresentar programas, é preciso, antes, ouvir uma população que, além de sua baixa estima, tem pouca consideração por sua representação política. Infelizmente, colocando na mesma roda eleitos e candidatos.

Para uma mudança, é necessário organizar quadros partidários de médio e longo alcance. Os “caciques” políticos sempre pensaram que bastava um afilhado para continuar com sua trajetória político-eleitoral. Hoje, não. Muitas carreiras políticas tiveram seu fim por não planejar o que deveria acontecer neste imenso jogo de xadrez. Ficaram pelo caminho, pensando: “onde foi que errei?”. Com a sensação de traição, pois sempre tiveram a “certeza de que trabalharam em prol de seu grupo de seguidores”

Estamos a, praticamente, um ano das eleições municipais. Tempo de sobra para que se motive a população a exercer um direito que é seu: a opção partidária. Em seu pleno significado, já que é ela que coloca na representação legislativa e executiva aqueles que vão exercer, em nosso nome, a administração do que é bem comum.