Os rumos de Aparecida


Os bispos católicos da América Latina e do Caribe estiveram reunidos em Aparecida (São Paulo) realizando a sua Conferencia Geral. O documento final aponta para a necessidade de ampliação do diálogo e a renovação da ação da própria Igreja. Tanto neste encontro, quanto nos que o antecederam, a Igreja foi capaz de utilizar plenamente dois elementos propostos: ver e julgar. Mas teve problemas no agir.

Os bispos dizem que se vive uma etapa, nas atuais circunstâncias históricas, que necessita de um novo olhar sobre as comunidades eclesiais e as estruturas pastorais, “para que a fé, a esperança e o amor renovem a existência das pessoas e transforme a cultura dos povos”.

Na primeira etapa do documento, chamado de “A vida dos nossos povos”, flagram mudanças que estão desafiando a evangelização. Reconhecem que elas são complexas, atingindo a sociedade, em elementos como a cultura, a economia, a política e a ecologia. Discernem grandes desafios como a globalização, a injustiça estrutural e a crise na transmissão da fé. Têm consciência de que a situação da Igreja é difícil, necessitando de um balanço dos sinais positivos e negativos da sua inserção no mundo.

No agir – “a missão dos discípulos missionários a serviço da vida plena”, chamam os cristãos a comunicar na missão, “porque o discipulado e a missão são como as duas faces de uma mesma moeda”. É o grande momento da Conferência: “converter a Igreja em uma comunidade mais missionária”, confirmando a opção preferencial pelos pobres e excluídos. Os bispos também falam a respeito dos desafios pastorais da educação e da comunicação, assim como a necessidade da presença dos cristãos na vida publica, “especialmente o compromisso político dos leigos por uma cidadania plena na sociedade democrática”.

Seguidamente digo que a Igreja Católica tem ricos documentos a respeito de praticamente todas as áreas. Seu problema está, exatamente, neste ponto – agir. A percepção dos nossos prelados a respeito da Igreja e da sociedade é clara e precisa, tanto nas mazelas, quanto nas virtudes.

Mas uma frase no documento deve merecer atenção especial por parte da comunidade religiosa: a doce e confortadora alegria de evangelizar'. Não há sentido em ser apenas mais um documento. A cobrança por uma ação efetiva da Igreja vem da própria Conferência, ao dizer que há a necessidade de proclamar com audácia Jesus Cristo a serviço de uma vida em plenitude para nossos povos”. Que assim seja.