O verde já não tão verde


Não é preciso andar muito para se perceber que as atividades desenvolvidas por entidades preservacionistas andam de carroça, enquanto as atitudes de descaso para com o meio-ambiente voam. Um olhar sobre o que é feito nas áreas urbanas dos municípios mostra que o descaso se dá pelo lixo atirado em lugares impróprios (nas ruas, jogados de carros, arremessados em canais que deveriam servir para a drenagem das águas da chuva) e o desperdício dos recursos naturais.

Infelizmente, esta falta de conscientização, hoje, não fica apenas no meio urbano e se estende ao meio rural. Cada vez mais preocupa o tratamento do lixo dado pelos moradores do interior. Por um lado, as embalagens em que são transportados agrotóxicos e que deveriam, depois de usadas, serem devolvidos para as revendas, ou recolhidos pelas secretarias de agricultura ou desenvolvimento rural. O que não acontece na sua totalidade e muitas destas embalagens são encontradas na beira das estradas, em valas, próximo a açudes ou, pior, aproveitadas para armazenar água.

Por outro lado, os resíduos residenciais. Muitas áreas rurais já têm serviços de recolhimento de lixo. No entanto, é comum vermos objetos, em especial o plástico, jogados no meio ambiente. Uma cavalgada pela orla da Lagoa dos Patos constatou, tristemente, o quanto deste material é encontrado boiando nas águas, ou preso à vegetação da sua orla.

Recentemente, percorríamos o interior de um município da Região Sul quando constatamos que o lixo era jogado nas pastagens do fundo das casas e a desculpa era de que a passagem do caminhão que fazia o recolhimento era muito espaçada e que não havia como armazená-lo!

Infelizmente, em ambos os casos, sabemos que muitos adultos podem ser conscientizados, mas há um bom número de “cabeças duras” que acham estes cuidados apenas “bobagens”. Creio que, nestes casos, há dois caminhos a serem tomados: um deles é um serviço de fiscalização e penalização daqueles que não recolhem ou armazenam adequadamente todos os tipos de lixo, pois é sabido que a parte mais sensível do corpo humano continua sendo o bolso!

Mas a alternativa que se mostra com capacidade de beneficiar a todos é a conscientização de jovens e crianças. A estrutura das escolas, igrejas, associações precisa e deve ser utilizada para que adquiram uma cultura preservacionista. Esta é a forma viável para que se dê a reversão de um processo que preocupa, mostrando que, em muitas áreas, infelizmente, o verde já não é tão verde, pois está sendo acinzentado pela ignorância e má utilização do próprio homem.