Passando pela crise


Numa determinada ocasião, questionaram a um palestrante qual era a maior das crises, a pessoal ou a que atinge grupos e organizações. Sem pestanejar, disse que era aquela que atingia a pessoa, porque somente ela gerava a outra.

Pensei um pouco e, no convívio com diversos grupos, pude perceber a verdade que existia naquelas palavras. Uma crise institucional somente acontece quando alguém não é capaz de fazer uma opção simples: declaro todos os elementos e deixo que as pessoas se digladiem, ou penso um pouco mais e busco respostas para os problemas que vamos enfrentar?

Exatamente porque é mais fácil jogar tudo no ventilador do que procurar as alternativas que encaminham para o reforço do convívio, ou a salutar catarse que possa dar novo sentido ao grupo.

O que fazemos quando nos sentimos em crise? A resposta pode parecer simples, mas não é. Sabemos que o melhor é buscar um aconselhamento profissional, seja religioso, seja psicológico. Mas, para chegarmos a esta etapa, é preciso que superemos nossos medos e que a crise já não esteja tão acentuada que embote nossos sentidos.

Fundamental é manter um canal aberto, especialmente de um amigo ou amiga, que possa apoiar até o ponto em que, também, não o prejudiquemos. Senso crítico é fundamental, já que, muitas vezes, como aquele que está se afogando num rio ou no mar, a tendência e puxar para baixo quem está se oferecendo para nos salvar.

Mas e a crise de grupo? Ela nasce quando não somos capazes de contar até dez, até cem, até mil, numa ação ou reação que não nos satisfaz, quando queremos cobrar atitudes que esperamos das pessoas, quando julgamos que nossos valores são superiores, certos, adequados. Por quê? Quem nos dá o direito de pensar que somos referência para o outro?

Na verdade, a humildade do silêncio e do sorriso, em muitos casos, consegue superar barreiras que julgamos intransponíveis. A Bíblia é sábia quando diz que, primeiro, deves tomar em particular a teu irmão e perguntar o que aconteceu.

Temos duas alternativas: sermos geradores de crises, já que é do ser humano competir e achar que sempre temos resposta para os problemas – algo que não se diferencia muito dos tempos pré-históricos (faltando apenas o tacape); ou construímos soluções, uma trilha mais difícil, mas que solidifica relações e encaminha respostas muito mais duradouras.