Por uma cultura de paz


Não creio que se espere do cidadão comum que ele consiga influenciar na decisão das chamadas “autoridades responsáveis” sobre a existência ou não das guerras. Parece-me que já está de bom tamanho o que as igrejas cristãs, muçulmanos e judeus de boa vontade provocaram nos últimos dias: um clamor pela vida, pelo respeito à existência e à liberdade.

Felizmente, não é regra aqueles que apelam para a guerra, a fim de solucionar desavenças. Pena é que seus “brinquedos”, além de barulhentos, insensivelmente acabam ou estraçalham aqueles que estão na disputa e também inocentes que somente erraram numa coisa: estavam no lugar errado, na hora errada.

E não estou olhando apenas para o Oriente, onde o exército Judeu e o Hezbollah teimam em resolver suas diferenças; nem para o Iraque, onde os Estados Unidos afundam seu contingente de soldados numa guerra que parece não ter fim (embora encerrada oficialmente); mas para o que os jornais brasileiros já estão chamando de “guerra civil” no confronto entre o crime organizado e a segurança pública desorganizada.

Creio que ainda não vimos todo o filme. Embora a imagem possa parecer dolorosa, tudo indica que está funcionando como uma metástase: não arrancado em definitivo nos dois grandes centros - São Paulo e Rio de Janeiro - já dá sinal de estar se disseminando por outros estados do país.

Não é incomum ouvirmos pais dizendo terem recebido telefonema com um mesmo golpe: uma voz informa do acidente de um dos filhos. Assustado, o pai faz os cálculos e, quase sempre, se dá conta de que um filho está na rua; cita um nome, que é utilizado para ameaçar: “estamos com seu filho, vamos matá-lo se não fora pago x”.

Em alguns casos, o valor foi pago; em outros, conseguiram descobrir que o filho estava bem e perderam as estribeiras. O número de origem raramente é rastreado. Mas, quando o é, aponta para presídios do centro do país.

 Mesmo que o processo comece a ser revertido agora, sabemos que leva algum tempo até alcançar estágios de segurança desejáveis. Que passam por reestruturação da segurança pública; investimentos sociais; e incentivo a uma cultura de paz. Nada que seja inviável. Outros países o conseguiram.

Temos que partir do princípio que pessoas com tendências para o mal sempre existiram. O que elas não podem é ser parâmetro, em especial para nossos jovens.

As Igrejas têm razão quando pedem que se busque a paz no cenário internacional. Mas devem estender as suas preces ao nosso próprio país, porque, ao que tudo indica, ainda não chegamos ao fundo do poço.