Por uma gota d'água


Muitos são os municípios do estado que estão tendo que buscar recursos para investir em sistemas de barragens ou de transposição de águas para fazer o abastecimento primário da população.

Creio que este não é o maior dos problemas, uma vez que tecnologias para este fim já são conhecidas em muitas partes do mundo, permitindo que áreas onde escasseiam as chuvas não venham a enfrentar situações de catástrofe.

Então, qual é o problema? Creio que ele está em dois níveis: no setor público, onde os municípios precisam investir em infra-estrutura para renovar tubulações, em muitos casos, centenárias. Há uma máxima em administração que diz que investimentos se fazem em obras que são vistas. Obras “enterradas” não dão o retorno esperado, ou seja, o voto.

O segundo problema está na população mal acostumada com o esforço feito pelas autoridades que não querem correr o risco de serem acusadas de falta do precioso líquido. Então, o que acontece é uma falta de conscientização generalizada, um desperdício de um elemento que, se não faltar agora, pela prodigalidade com que esta sendo desperdiçado, vai faltar no futuro.

E não é apenas pelo mau trato que se faz do líquido tratado. É, também, pelos recursos hídricos que são poluídos, incluindo desde pequenos fluxos de recolhimento de água – em nossas cidades - passando por nossos rios e lagoas, e chegando aos nossos mares.

Ora, quem atira um sofá, pneus ou mesmo garrafas pet nestes lugares deveria ser condenado com a mesma severidade com que se condena alguém que comete um crime contra a vida!

Numa palestra, um professor contou que a consciência ecológica não inicia por teorias, mas por uma prática concreta. E citava como exemplo: se o pai ou a mãe levarem a criança para a horta ou o jardim, com instrumentos de brinquedo que possam repetir o que os mais velhos estão fazendo, é muito provável que ela vá gostar de jardinagem ou de horta. E adquirir, por si, a consciência da necessidade de preservação da natureza!

São muitas as experiências em escolas que mostram isto. Falar é bom, mas praticar é melhor ainda. E falam, mas também abrigam pequenos espaços onde a criançada pode meter a mão na terra.

Neste pobre e sofrido planeta, já com uma série de curativos colocados sobre suas seqüelas, creio que vale a pena investir na criançada como capazes de reverter esta situação. Mas bem que já poderíamos fazer a nossa parte, hoje, evitando que, no futuro, sejamos incriminados por termos sido omissos.