Preparando o Discurso


Na comemoração de um aniversário muito importante para a Ordem dos Jesuítas, um frade capuchinho de renome internacional foi convidado para a pregação de um retiro, na Espanha, lá pelos meados de 1800.

Ao chegar ao mosteiro, três dias antes da pregação, o bom frade pediu que fosse levado ao à sua cela e que fosse colocado, pela manhã e à noite, um garrafão de água e outro de vinho. Passados os três dias, o pessoal notou que eram consumidos os garrafões de vinho e que os de água permaneciam lá dentro. Os bons religiosos começaram a por as barbas de molho.

No dia proclamado para a pregação, quando abriram as portas da capela, encontraram o frade, encostado a uma pilastra, balançante, no ritmo bem próprio de quem enxugou umas que outras. Silenciosamente, ocuparam seus lugares, tendo à frente a alta cúpula da ordem em toda a Europa.

Foi então que o frade balançante foi até a frente do altar, tropeçou ao fazer uma genuflexão, voltou-se para o público e, com dificuldade, apontando o dedo para o superior, disse, em alto e bom tom:

-        Malditos jesuítas!!!

Foi o suficiente para que um desmaiasse, outro tivesse um enfarto, e os demais deixassem cair o queixo. Quando o burburinho arrefeceu, o frade continuou.

-        Foi o que disse o amaldiçoado Marques de Pombal quando expulsou esta aguerrida ordem do Brasil.

Depois de uma brilhante pregação, o frade foi embora. E quem chegava perto jurava que ele não tinha nenhum cheiro de álcool. Quando foram ver no quarto, a água tinha sido consumida e o vinho estava em seu lugar. E ele passara três dias em jejum para fazer a pregação.

Moral da história (se é que a história tem moral): cuidado com a preparação do seu “discurso”. Cada elemento será capaz de ajudar, atrapalhar, ou fazer com que seu público faça a leitura adequada da sua mensagem.