Preservando a vida


Quase um mês depois de entrar em vigor a “lei seca”, que proíbe aqueles que vão dirigir de consumir bebidas alcoólicas, as pesquisas são muito claras: cerca de 80% da população aprova a medida. No período que antecedeu a vigência da lei, as estatísticas de finais de semana mostravam, assustadoramente, que acontecia uma autêntica chacina no trânsito. Muitas pessoas morriam em acidentes e, com absoluta certeza, podia-se constatar como maior responsável o consumo de bebidas alcoólicas.

Como conseqüência, até então, de uma legislação frouxa, muitos “valentões” (pois são raros estes tipos de acidentes com mulheres), assumiam o volante sem as mínimas condições, certos da impunidade. Pois as coisas mudaram – ainda bem – e os motoristas tiveram que colocar as barbas de molho. Agora, o que precisamos, ainda, é de uma mudança cultural: o uso e abuso de álcool em qualquer situação – festas, bares, postos de combustível – tornou-se proibitivo para quem vai dirigir.

Algumas situações pareciam cenas de humor – sem qualquer graça: um jovem que desceu visivelmente embriagado do carro e disse que apenas comeu “um bombom”! Ou outro que dizia estar senhor absoluto de si, mas que não conseguia nem mirar o bafômetro! As chamadas drogas lícitas – como álcool e fumo – estabeleceram certo “glamour” em torno do consumo de bebidas, criando fabulas do tipo: “beber desinibe, descontrai”, “faz a gente esquecer-se dos problemas” etc. Sem que nos demos conta do quanto ela é prejudicial para os reflexos e a capacidade de raciocínio na hora de dirigir.

Infelizmente, tem gente apostando que a lei “não vai pegar”, isto é, que em seguida será esquecida e passa a ser uma daquelas que existem no papel, mas não são aplicadas. Algo bem brasileiro, pois lei é lei e enquanto estiver em vigência tem que ser cumprida, com bom senso por parte das autoridades para que não se cometam excessos, sendo aplicada em casos de acidentes ou quando o motorista está visivelmente transtornado. Mas não causando constrangimento para quem demonstra condições de dirigir.

Vamos levar algum tempo para entender que esta lei salva vidas e evita seqüelas danosas para muitos jovens. Os números precisos ainda não são conhecidos, mas já se sabe que são menores os números de acidentes, diminuíram as mortes e os pronto-socorros estão recebendo menos vítimas nos finais de semana. Estes dados são suficientes para mostrar o bom senso das pesquisas.