Profissionais da política


Na semana passada alguns jornais fizeram a comparação entre o que significa, atualmente, o salário mínimo para o brasileiro e os vencimentos que desejam deputados e senadores para o próximo mandato. O assunto estava sendo mantido sob sigilo, vazou e, agora, a discussão está posta. E bem posta, porque merece uma séria reflexão.

Fiquei pensando em como explicar para os moradores da Vila Silveira – onde a renda familiar é em torno de mil reais – a diferença de 25 vezes para um único salário, com trabalho às terças, quartas e quintas-feiras.

Não vou ser saudosista, como alguns, que acham que os políticos deveriam exercer seus mandatos como antigamente: de graça. Hoje eles se profissionalizaram - não sei se para o mal ou para o bem - e precisam de subsídios para poder nos representar adequadamente.

Mas entre isto e os valores que estão sendo pedidos, há um abismo. Alguns países estabelecem que entre o mínimo e o máximo, a diferença não pode ser superior a 20 vezes. Passado daí, o fisco come. Pensem no estrago que o Leão da Receita Federal iria fazer se fosse solto com a liberdade de abocanhar estes valores!

Infelizmente, no Brasil, a diferença é grande. E não venham me dizer que os políticos, se estivessem na iniciativa privada, ganhariam bem mais. Talvez, em alguns casos; mas a grande maioria, possivelmente nem tivesse vez fora da carreira política.

Um dos jornais chegou a levantar o que o salário mínimo e o salário dos congressistas fariam por cada um: o mínimo não seria suficiente para cobrir as despesas básicas; o outro atenderia a todas as mordomias possíveis.

Alguns políticos chegaram a dizer que era “injusto, por ser um nivelamento por baixo, pois não vai se resolver o problema da maioria”. Pois é pena. É o problema, exatamente, desta maioria que precisa ser resolvido.

A legislatura que se instala leva a esperança de que sejam feitas as reformas e remodele a máquina pública, as relações políticas e previdenciárias. Vindo junto um feroz controle sobre os gastos, se estanquem os ralos por onde acontecem os desvios e se dê o destino justo àqueles que se serviram da máquina pública: a cadeia, com a devolução dos recursos mal utilizados.

Mas, o primeiro passo é discutir os vencimentos dos congressistas, já que agem em cascata sobre os salários de deputados estaduais e vereadores. Um índice justo? O mesmo que foi dado aos aposentados que ganham mais do que um mínimo. Se estes podem viver com o reajuste dado, porque o legislativo federal não o pode?