Proposta de formação para seminaristas da arquidiocese de Pelotas

 

Antes de pensar em utilizar os meios de comunicação, a Igreja Católica precisa preparar seus quadros – especialmente os padres – numa formação adequada ao pensamento e orientação da própria Igreja. Desde Aetatis Novae se apregoa da necessidade de que se utilizem os meios de comunicação a serviço de uma nova evangelização e catequese.

A diversidade de meios que são oferecidos e o fato de que eles chegam cada vez mais a um grande número de cristãos, coloca como desafio estratégias e práticas de comunicação.

Segundo Aetatis Novae, “a educação e a formação para a comunicação devem fazer parte integrante da formação dos agentes pastorais e dos sacerdotes” (18). Adiante: “as pessoas comprometidas na Igreja tenham, pelo menos, uma visão de conjunto do impacto que as novas tecnologias da informação e da mídia exercem sobre os indivíduos e a sociedade”.

O documento 59 da CNBB – Igreja e Comunicação Rumo ao Novo Milênio - 1997 – continua atual e diz da necessidade da “educação para o senso crítico e no campo do uso da comunicação no ensino” (39).

Em 2001, a Equipe de Reflexão do Setor de Comunicação Social da CNBB propôs o documento “Educação para a Comunicação nos Institutos de Filosofia e Teologia”. Em síntese:

 

Para o propedêutico:

Palavra-chave: a pessoa humana – um ser de relações.

A preparação para a acolhida, sendo um sinal profético de Deus e estar junto daqueles que necessitam ser “chamados pelo nome”.

Na prática, mais do que buscar um produto final, importa valorizar os processos, isto é, a consciência de que somos comunicadores (o próprio corpo, em sua postura, atitudes, comportamentos relacionais).

Proposta de conteúdo curricular:

Plano teórico:

a) comunicação e relações interpessoais.

b) Autoconhecimento, emoções e diálogo consigo mesmo.

c) Evolução da comunicação nas suas variadas formas: gestual, oral, escrita, visual.

d) As novas tecnologias na comunicação pessoal.

e) Leitura crítica e participativa da comunicação.

f) Espiritualidade do corpo.

Plano prático:

a)      Exercícios de expressão oral e escrita.

b)      Exercícios de expressão corporal, desinibição.

c)      Elaboração de boletins, murais, avisos, vídeo pastoral, rádio, publicidade.

d)      Montagem e apresentação de peças teatrais.

 

Para a filosofia:

Palavra-chave: existo na medida em que sou comunicação.

Um estudo mais crítico, uma análise do fenômeno de comunicação, sua evolução, seus processos, incidência e poder nas relações humanas, políticas, socioeconômicas, culturais e religiosas.

Plano teórico:

a)      Principais teorias e correntes de comunicação (funcionalismo norte-americano, escola de Frankfurt, estudos culturais de comunicação).

b)      Conceitos: comunicação de massa, indústria cultura, era da informação.

c)      Ética na comunicação.

d)      Semiótica e Semiologia.

Plano prático:

a)      A comunicação nos documentos da Igreja: origem histórica de cada meio.

b)      Política de comunicação na Igreja e na sociedade.

c)      Globalização, comunicação e mercado.

d)      Comunicação, educação e cultura.

e)      Novas tecnologias: compreensão da era da informação (sociedade em redes) e juízo crítico sobre sua influência social.

f)        Exercício da oratória: raciocínio e organização das ideias.

 

Para a teologia:

Palavra-chave: Deus se faz comunicação tomando corpo, nome e coração humano, concretizando seu ato pedagógico mais sublime: Jesus.

Linha motivadora: A evangelização é uma questão de encarnação/inculturação na realidade do outro. É a partir do conhecimento amoroso e fiel do interlocutor no processo comunicativo que acontece a evangelização. Gera conhecimento e se torna o fundamento da comunicação. Por este motivo, o conteúdo teórico-prático deve ser tratado não só como conceito racional, mas também em nível de motivação e sensibilidade.

Conteúdo:

Plano teórico:

a)      Fundamentos bíblico-teológicos da comunicação: a ação do Pai, a ação do Filho, a ação do Espírito, a comunidade.

b)      O serviço de comunicação à pastoral global.

c)      Reflexão e avaliação de práticas pastorais na ótica da comunicação.

d)      Pastoral de comunicação (serviço?)

e)      A comunicação por meio do testemunho de vida.

Plano prático:

a)      Estágios orientados nas comunidades eclesiais, por exemplo: organizar equipes de Pastoral da Comunicação nas paróquias – ou auxiliar na formatação de programas de rádio.

b)      Comunicação e celebrações litúrgicas (laboratórios).

c)      Homilética (laboratórios).

d)      Comunicação e celebrações litúrgicas eletrônicas (laboratório).

e)      Informática: aproveitamento pastoral de seus recursos.

f)        Tomar conhecimento dos organismos internacionais que trabalham a comunicação: União Católica Internacional de Imprensa, União de Radiodifusão Católica, Organização Católica Internacional de Cinema, União Cristã Brasileira de Comunicação Social, Serviço à Pastoral da Comunicação e meios de comunicação católicos e não católicos.