O
que fazer com a cruz


Um homem era casado e morava em um pequeno apartamento. Para seu azar, sua mulher adorava gatos e tinha cerca de quinze, todos morando em casa.

Chegou um dia em que ela teve que ir visitar sua mãe, que estava doente. No caminho para o aeroporto, deu a seguinte recomendação: “meus gatos estão acostumados a seis refeições diárias. Às 8 horas, 10 horas, meio-dia e 15 horas. Sem esquecer da janta às 20 horas e da ceia às 22”.

Nem é preciso dizer que o moço detestava gato. E voltou para casa pensando o que poderia fazer. Foi ao cruzar com uma loja de artigos religiosos que surgiu a idéia macabra. Entrou, comprou o que tinha pensado em comprar e foi para casa.

Pela variedade de horários das refeições, em seguida apareceram os gatos para a comilança. Foi então que, depois de colocar todos os potes nos devidos lugares, dirigiu-se para o quarto, pegou a grande cruz de madeira que tinha comprado, voltou para a sala e deu a maior surra nos felinos de que já se tem notícia! Gatos saíram pelas janelas, pelas portas, em todas as direções, procurando escapar daquele instrumento que nem a inquisição inventara para tortura!

Dias depois, volta a mulher e, no caminho ainda, com a maior seriedade, o moço diz que a mulher, como é muito religiosa, deveria ter cuidado com o que tinha em casa. Surpresa, é óbvio que ela pergunta porque. Ainda muito sério, ele afirma que os seus gatos têm parte com o diabo. Depois do primeiro susto pela informação, a mulher pôs-se a rir, dobrando-se de tanto que achava engraçada a piada. Com um mover de ombros ele ficou quieto, como quem diz: espera e verás.

Ao chegar em casa, os gatos, que por instinto sabem quando retorna quem gosta deles, aparecem para a refeição. O homem ainda tenta argumentar e é desdenhado pela mulher. Vai, então, ao quarto e volta com a cruz. No momento em que a aponta para os gatos, a lembrança da surra faz com que eles saiam por portas e janelas, em desabalada carreira.

Só então a mulher acredita no marido. Manda chamar um padre e pede que exorcize a casa. Nunca mais quis saber de gatos em casa.