Receita para uma família feliz


A receita é relativamente simples, talvez o complicado seja o jeito de tratar os elementos: todos querem ter uma família feliz. Mas como fazer com que isto aconteça? A receita: fazendo pessoas felizes. Os elementos, nesta Semana da Família: crianças desajustadas, jovens sem identidade, adultos amargurados e idosos definhando por serem considerados um incômodo a ser tolerado.

Ainda bem que estes casos não são a regra, mas a exceção, aparecendo mais porque demonstram nossas fraquezas e, em muitos casos, a incapacidade para enfrentar problemas. A tentação é negar que, exatamente embaixo de nossos narizes, as coisas estão acontecendo e tentamos deixar que se resolvam “naturalmente”.

Pensar que uma palmada é o mesmo que uma ação constante de violência é desconhecer por completo as relações de família. Ninguém aceita a violência, por não ser natural nas relações, mas fruto de uma mente doentia. Acompanhar um jovem enquanto define sua personalidade é um jogo de acertos e erros, que precisa ser enfrentado com um olhar que, ao mesmo tempo, signifique firmeza, solidariedade e carinho.

Embora sempre se pense que adultos, por estarem muito ocupados, estejam livres de problemas, o que se percebe é o contrário: Não deixar fluir os sentimentos faz com que se chegue a um momento em que se transborda e todo o processo de reconstrução é muito doloroso. E, numa sociedade em que se trata o outro como objeto útil, o idoso é algo descartável, porque não há muito mais o que possa oferecer em troca.

Estas idades formam a família: a criança em busca de caminhos, o jovem sedimentando conceitos, o adulto carente de acolhida e o idoso, porto seguro onde se ancora na espera de passar a tempestade e chegar a bonança. A receita da família feliz não existe. Mas há elementos a serem vividos quando resta um abraço, uma lágrima ou um sorriso maroto no rosto do idoso que reencontra a neta e lhe falta a palavra, mas escorrem sentimentos represados de saudade e ternura no que há de mais sublime na vida: laços que não se desfazem com a distância física ou, mesmo, com o passar do tempo.