Religião por encomenda


Normalmente, não participo de debates a respeito de religião. Minha experiência infeliz foi que, numa determinada ocasião, durante a recepção de um casamento, a discussão foi tão acirrada que tomei a decisão de não mais entrar nesta dividida.

Mas me ficou a certeza de que as pessoas andam fazendo da religião um autêntico buffet. Acham que podem servir-se do que mais lhes agrada em cada uma. Querem o batismo de uma, o passe de outra e o contato com os espíritos de uma terceira.

Li, em algum lugar, mas infelizmente não guardei o autor, uma comparação interessante: É como quem sobe uma montanha. Enquanto ainda está na base, existem bosques, muitas flores, e o caminho é fácil. Quando se chega ao trilho mais difícil, é mais fácil passar para a base de outra montanha, onde se encontram novos bosques e novas flores.

Quem deseja, de fato, a paz que a religião pode lhe dar, tem que ser capaz de aceitá-la com o que tem de bom e, até, com aquilo que num determinado momento não lhe agrada. Há muitos que são turistas religiosos e não encontram a paz. Para ser honesto, eu preciso assumir que sou – no meu caso – Católico, Apostólico e – deveria ser – Romano. Creio que no meu caso, o R continua, mas de relaxado. E isto me dá o direito de rezar pela minha igreja, para que ela seja mais santa e o menos pecadora possível.

Numa época de tudo praticamente pronto, é relativamente fácil – e porque não dizer cômodo – pensar que a nossa relação de fé também pode ser conduzida da mesma forma que os produtos industrializados - consumíveis e descartáveis.

Não é assim. Embora, infelizmente, algumas pessoas, ditas religiosas, possam dar esta impressão. Uma fé se constrói e é preciso muito esforço para mantê-la.

Exatamente aí é que reside a graça – nos dois sentidos: de algo interessante e o fato de ser abençoado por Deus. A fé contempla um dos pilares da nossa realização e nos auxilia a que, serenamente, em muitos momentos, possamos fechar os olhos, diante de uma situação difícil, e apenas murmurar, como Maria: “Eis-me aqui, Senhor, faça-se em mim a tua vontade”.