Reverter a pobreza


Cinco municípios da região sul do Estado – Amaral Ferrador, Cerrito, Herval, Pedro Osório e Santana da Boa Vista – resolveram pedir socorro, pois se deram conta de que sozinhos não poderão reverter o quadro de pobreza existente em suas áreas urbanas e rurais. Seus prefeitos apelaram ao Ministério do Desenvolvimento Social para obter a inserção em programas que beneficiem estas regiões com a injeção de recursos.

Estão certos tomando tal atitude. Em cada uma das macrorregiões do Estado existem municípios pólos e aqueles que gravitam à sua volta. Quando conseguem que empresas, indústrias ou prestadoras de serviços se instalem em seus territórios, muitas vezes com serviços terceirizados, ainda têm alguma chance de desenvolvimento, caso contrário, definham e pouca ou nenhuma perspectiva apresentam a seus moradores.

Vemos, hoje, é que muitos são os recursos investidos nestes pólos, com uma preocupação de valorizar o capital econômico. O empresário que pensa assim tem lá suas razões, mas o dirigente político municipal, estadual ou federal não pode fazer o mesmo. Sua obrigação é pensar o capital humano que se encontra nos grandes e nos pequenos municípios; naqueles que merecem a atenção dos empreendedores, mas também naqueles para os quais é necessário montar estratégias que se não os tornam atrativos, ao menos podem viver das migalhas que caem da mesa.

Pois esta é, exatamente, a função do dirigente político: incentivar o investimento em áreas alternativas, para que não se tenham regiões onde há a abundância de recursos, em detrimento de outras onde a pobreza é palpável, quando não se encontra a própria miséria. Algum tempo atrás, um prefeito dizia que a sua maior fonte de arrecadação eram os aposentados! Quando estes recebiam, todo o sistema econômico do município era beneficiado, o resto do mês restava para esperar o próximo pagamento.

Buscar alternativas que beneficiem estes municípios mais pobres é concretizar a inserção social. Muitas de nossas mazelas vêm, exatamente, de pessoas que não têm renda e, consequentemente, também não têm informação e formação. Em muitos casos, a pobreza ou a miséria deixaram marcas que os tornam apáticos e incapazes, inclusive, de pensar que poderiam viver melhor.

Tomara que prefeitos e lideranças políticas sensibilizem o governo estadual e o federal para que se diminuam as diferenças sociais e se dê um mínimo de dignidade a todo o ser humano. Não é tudo, mas ajuda a vislumbrar a possibilidade de dias melhores.