Simetria entre linguagem e mundo


Quando discutimos as influências que exerceram os pensadores sobre a sociedade atual, fica cada vez mais claro o papel exercito por Hegel, com o seu saber absoluto, desejando justificar a ciência, a filosofia e a cultura diante do Tribunal da Razão.

O que tinham em comum os "desbravadores" que atravessavam mares e se embrenhavam pelos continentes, buscando fazer com que os nativos "descobrissem" a mensagem que traziam (novo pensar, nova religião, novo agir) e o político-economista de hoje que utiliza uma cara compungida para que, praticamente, pensemos ser ele uma "vítima", já que se sacrifica por nossos interesses e, só o que deseja, é que nos convençamos de que ele tem o mundo melhor, que mais se adequa a cada um de nós?

Exatamente, o pensamento de Hegel de que os limites e as possibilidades do conhecimento humano se situam nas condições a priori do sujeito, onde um sistema representa a própria realidade, pretendendo mais: ser a própria realidade.

Então, o desbravador e o nosso político, estão se justificando por causas muito semelhantes: eles têm uma verdade que precisam fazer com que os botocudos - no primeiro caso - e nós (também um tipo de botocudo político), no segundo, descubramos.

Em comunicação, este pensamento está muito presente quando buscamos a simetria perfeita entre linguagem e mundo. O pensamento de Hegel diz que atingiremos o ponto ideal quando ela acontecer: a linguagem expressando com clareza e perfeição o mundo.

A proposta tem tudo a ver com o que fazemos hoje nos diversos meios de comunicação, mas, em especial, na propaganda, quando acabamos criando necessidades, onde o consumidor tem como certo que "ele pensou" antes em se ver atendido por um serviço. É incapaz de visualizar a teia que o envolve.

O homem de propaganda, em especial do marketing (área que liga comunicação e administração), estuda como funcionam as ânsias e satisfações do possível comprador e, com isto, oferece-lhe o produto da forma adequada a que pense estar sendo protagonista e não mero espectador.

Quando se satisfaz uma necessidade, está se retirando das condições a priori do sujeito aquilo que ele já conhece. Ou melhor, o que nós achamos que ele deve conhecer e para o qual buscamos lhe oferecer condições de efetuar a descoberta de uma forma mais fácil e menos penosa.

Talvez, mais cara. Mas esta também é outra história.