Solidariedade e individualismo


O que há de comum entre o motorista irresponsável que trafega em alta velocidade em frente a um colégio, o funcionário de uma loja que varre o lixo para o meio da rua e alguém que diz que não precisa se vacinar? Como diria o Marcus Spohr, “conscientização”. Tem razão: pistas melhoradas juntam o tráfego em alta velocidade, a falta de sinalização adequada e de serviços de segurança, assim como os descuidos próprios da juventude e temos acidentes, inclusive com a perda de vidas.
O funcionário que não recolhe o lixo, achando que a Prefeitura tem a obrigação de fazer este serviço, é o mesmo que, depois, quando estes mesmos resquícios de madeira e papelão trancam os córregos e os motores que bombeiam as águas, reclama das cheias.
Aquele que se enche de razão e não quer participar das campanhas de saúde pública porque julga saber mais do que o pessoal técnico da área está colocando em risco não apenas a sua integridade física, mas também a dos demais, pois perdeu o senso de solidariedade onde o convívio social exige regramentos.
Pois aqui está a diferença entre a solidariedade e o individualismo. Embora muitas igrejas e filosofias façam suas pregações baseadas na solidariedade, a própria sociedade se coloca valores no sentido contrário, valorizando o individualismo, especialmente dando razão às opções pessoais e às “conquistas”, seja por capacidade intelectual ou braçal, mas também não descartando certa “esperteza” na sua atuação.
Pode parecer um contra-senso, mas não é. Aqueles que vivem e pregam uma religião ou uma filosofia podem ser bem intencionados, mas, hoje, não são a maioria. Buscam deixar uma marca positiva na sociedade, mas já não têm a força que tiveram e que alguns ainda julgam ter.
Por outro lado, a sociedade, em especial uma parcela do meio empresarial, quando vê as “virtudes” positivas – lideranças de grupo, capacidade de solidariedade – está focada em interesses próprios e no que pode aproveitar para seus objetivos, colocando a serviço a capacidade de liderança e visão mais ampla.
Educar tornou-se tarefa difícil, em qualquer nível: família, igrejas, sociedade e escola, porque são muitas as alternativas, em especial pelos meios de comunicação. Encontrar novos caminhos está se tornando uma tarefa árdua, mas não impossível, pois, afinal, o que está em jogo são as nossas futuras gerações. Impossível omitir-se e deixar que falem mais alto contra-valores travestidos de valores e que descartam um princípio básico: o da solidariedade.