Sou fã da Maria do Carmo


Pode parecer estranho fazer uma declaração destas, mas a lembrança me vem das comunidades do Orkut – um lugar na Internet de diversão, discussão, conhecimento de pessoas e troca de informações – em que se abre espaço para dizer que se admira alguém e se aceita adesões.

Maria do Carmo Sobral. Uma professora pelotense que conheci há muitos anos nas lides do ensino e da igreja e que nunca deixei de acompanhar porque, mesmo em sua aposentadoria e com a ausência do Mário, seu eterno companheiro, não deixou de manter sua coluna no Diário Popular.

Seus textos sempre são intimistas, falando de situações do dia a dia, que inclui o convívio com familiares, amigos, viagens, passeios. Enfim, situações de vida.

Num dos últimos domingos, contou o encontro com uma amiga em um apartamento de praia. A alegria com que lhe mostrou as dependências e, chegando ao quarto, a dona, ainda sorrindo, afirmou que, dali, durante muitos anos, contemplara o mar, agora encoberto por outro edifício.

Quando pensou em manifestar seu sentimento porque a amiga perdera aquela maravilhosa visão, foi surpreendida, pois ela fez questão de destacar que, por cerca de 10 anos, tinha usufruído do mar em suas múltiplas manifestações. E que dava graças a Deus por aquilo que considerava uma bênção.

Diante do dito, só havia que silenciar. Uma grande verdade, já que passamos pela vida, muitas vezes, fazendo exatamente o contrário: ou fixados naquilo que perdemos no passado, ou desesperados por alcançar alguma coisa que ainda está no futuro. E que não chegou.

De fato, o que passou, passou. Deve ser uma agradável lembrança. O futuro é promissor, mas quando fazemos um belo presente. Sem que se viva bem o hoje, não há sentido em esperar que o futuro seja bom!

Quantas graças nos são dadas, inclusive, naquilo que nos parece uma experiência de sofrimento. É o caso de uma doença, um desencontro, uma dor por vivências amargas, uma ausência.

Vivenciando-as, podemos nos colocar diante de Deus de duas formas: como quem cobra o que lhe foi negado e se torna amargo; ou como quem repete Maria: “eis me aqui, Senhor, faça-se a Tua vontade!”.

Feito desta forma há uma serenidade que auxilia a enfrentar injustiças e tristezas, na certeza de que o dia a dia é diferente se visto como quem serve e não como quem se apropria da vida. Como as lições que nos são dadas pela professora Maria do Carmo.