Tempos de incertezas


 

Não resta dúvida de que esta é uma época de incertezas. Valores são questionados, princípios são relativizados, caminhos até então absolutamente seguros já não o são. E a pergunta é: este é um tempo de crise de fé, ou de crise da religião?

Um amigo chegou a afirmar: “não tenho dúvidas a respeito de minha fé. O problema é que não entendo o que faz a minha igreja”.

Não falo daquele que se serve de elementos da religiosidade como quem vai a um buffet, escolhendo o mais conveniente (já falei sobre isto aqui). Penso em pessoas que sempre tiveram uma caminhada que julgavam estável.

No entanto, fatos ou pessoas acabaram por desestabilizar o que, até então, era seguro. Neste momento, muitas vezes, a pessoa se retrai, recolhe-se a um ostracismo e, na maior parte das vezes, afasta-se de tudo o que acreditou até então. Quando não se torna cética.

É este o caso. Vejo corações em que a chama da fé diminui, pois se dão conta de que as convenções apresentadas não são coerentes, falta que a teoria, na prática, não seja outra coisa.

As religiões, no mundo Ocidental, estão em crise. Analisando em números reais, é fácil constatar que, efetivamente, o percentual dos que participam de encontros entre seguidores das igrejas diminuiu.

Já não existe uma religião hegemônica, mas cada uma busca seu nicho para a própria sobrevivência. E, em termos de religiosidade, é importante que se dêem conta de que, se quer ganhar, é preciso respeito; se quer perder, apele para o deboche.

Claro que um líder religioso tem que ser preparado intelectualmente, não pode se tornar uma inteligência preguiçosa. Mas não deve e não pode descuidar da própria sensibilidade. E da fé.

Muitos são aqueles que fazem da religião um emprego. Não funciona. Chega um dia em que vai se dar conta de que perdeu tempo. Se não for tarde, terá duas alternativas: rejeitar o credo que professou ou se tornar um burocrata da religião.

Os momentos de crise, normalmente, são propícios para encontrar novos caminhos, ou mesmo ajustar os já existentes, adequando aos novos tempos. Mas, para que isto aconteça, é preciso presença de espírito, sensibilidade, e um olhar que ultrapasse conhecimentos calcificados.

Não há porque ter medo do novo, nem desprezar o já construído. Há que ter fé. Aquela fé tão difícil, que remove montanhas. As montanhas da intolerância, do desprezo e mesmo da indiferença.