Tolerância


Uma senhora contou o quanto ficou satisfeita consigo mesma quando, na rua, ao ser atropelada por uma pessoa distraída e tendo derrubado praticamente todas as suas compras, foi capaz de desculpá-la. Juntos, recolheram tudo e ela ouviu várias vezes o pedido de que desculpasse e se não precisava de algo.

Chegou em casa ainda sorrindo e foi depositar as compras na cozinha. Vindo do pátio, seu filho de quatro anos entrava com os pés embarrados, mãozinhas para trás e cara de suposto culpado, enlameando o piso que havia deixado brilhando com tanto esmero! Foi à loucura!

- Cristiano, não sabes que não deves entrar assim em casa, sujastes tudo, vai lá pra rua e limpa teus pés, senão vou te castigar!

A criança passou o dia em silêncio e a mãe, à noite, quando teve tempo de parar, pensou na diferença de tratamento que havia dado a um estranho e ao próprio filho. Fora tolerante com um e nem quisera saber o que acontecera com o familiar.

Foi até o quarto onde seu pequeno estava deitado.

- Filho, desculpa a mamãe que foi muito estabanada contigo.

- Claro, mãe, eu não posso ficar brabo contigo, porque te amo muito. E era por isto que eu fui até a horta, pegar uma flor para ti. Ta em cima da cômoda!.

Duas singelas florzinhas estavam depositadas, já meio murchas, mas que, pela lição, seriam guardadas por toda a vida.