Um bom sinal


Pesquisa recente mostrou que mais de 40 por cento da população brasileira tem por rotina reservar parcela do seu salário para leitura de revistas, jornais ou livros que não sejam didáticos. Confesso que fiquei surpreso. Não tinha ideia, em números, mas acreditava que era uma parcela bem menor da população que tinha este hábito tão saudável. E porque saudável? Porque o fato das pessoas consumirem a leitura por prazer ou em busca de informação e formação é um dos pilares para o processo de conscientização, meta sempre tão almejada e tão difícil, já que, na maior parte das vezes, nos deparamos com parcelas da população alfabetizadas funcionais, pois conhecem as letras e sabem escrever seu nome, mas não são capazes de articular um raciocínio lógico.

Pode parecer estranho, mas esta informação, a meu ver, é mais importante do que a descoberta do pré-sal (ou, como brinca Luiz Fernando Veríssimo: pós-sal, já que vem depois do próprio e não antes). Enquanto as ainda misteriosas reservas de petróleo não representam uma realidade que possa, de fato, mudar a vida das pessoas, supostamente para melhor, a formação e a informação tendem a serem alavancas poderosas neste sentido, impedindo que as mesmas sejam manipuladas emocional e intelectualmente.

Fico emocionado quando um pai ou uma mãe fazem questão de afirmar que tiveram muitas dificuldades durante a vida, mas que fizeram questão de dar estudo aos filhos, sabendo que, na falta absoluta de bens materiais que propiciassem uma vida melhor, deram aos seus descendentes algo que ninguém mais pode tirar: o conhecimento e a capacidade de articular os seus próprios caminhos. Este é um bom sinal. Um sinal de que na formação e na informação está se construindo um futuro diferenciado, especialmente para as novas gerações. Em casa, temos o costume do chimarrão, às 10 horas, acompanhado da troca de informações da rua (as fofocas do dia) e da leitura dos jornais. Este hábito foi sendo passado naturalmente, sem a necessidade de qualquer incentivo. O exemplo foi mais forte e embora os mais novos iniciassem por alguma seção que lhes interessava, logo estavam lendo o jornal inteiro.

Pois agora vejo que este é um costume que não é tão difícil e pode fazer toda a diferença. Posso entender o que as pessoas querem dizer quando se referem à “capital intelectual”, uma moeda muito mais poderosa do que o próprio capital financeiro, especialmente porque faz parte do próprio indivíduo e lhe abre janelas que pavimentam o próprio futuro.