Um "desestressado" Natal


Não sei se acontece com as demais pessoas, mas para mim a época de final de ano, com o Natal e Ano Novo, é um tempo de stress: corremos atrás de tantas coisas – comida, presentes, ornamentações – que esquecemos coisas tão ou mais importantes, como buscar notícia de pessoas – amigas ou apenas conhecidas, reforçar a carga de carinho para com os mais próximos e contar não até dez, mas até mil, quando pensamos em explodir pelos pequenos erros cometidos nas rotinas da vida.

Creio que uma boa forma de fazer isto é atendendo ao pedido dos Correios: buscar a carta de uma criança encaminhada ao Papai Noel e que, sem ajuda da população, não poderá ser atendida. Um jornal estadual publicou dez das muitas cartas enviadas e, confesso, fiquei emocionado com a simplicidade dos pedidos: desde um par de chinelos, passando por comida, e chegando a uma piscina plástica para uma criança com câncer, que não pode ser exposta ao sol.

Fiz a proposta aqui em casa para que apadrinhássemos algumas delas. Sei que alguns dirão que não estamos resolvendo o problema, mas, ao menos, fazemos uma parte. Diminuímos o sofrimento de algumas delas e sentimos a alegria de fazer por alguém desconhecido o suficiente para que o “espírito de Natal” se faça presente.

Mas acho que este chamado tem outro forte elemento: tira-nos da volta dos nossos problemas e daquilo que nos atormenta. Faz-nos ver que embora tenhamos a sensação de que os nossos são os maiores, podemos considerá-los insignificantes, diante do que outras pessoas enfrentam. Estamos com dor de cabeça? Um paciente espera para amputar uma perna. Temos pouco dinheiro? Há alguém em desespero por não ter nenhum e nem como colocar comida na mesa. Temos uma angústia por não poder resolver um problema imediato de um filho? Há uma mãe que já perdeu o seu e que tem no coração a marca dolorida da saudade.

Não seria capaz de fazer “hô, hô, hô, hô” nesta data, mas sim olhar nos olhos de uma criança que pediu um presente e dizer: “feliz esperança, Que ela jamais morra no teu coração!” Para nós, com certeza, restará um “desestressado” Natal!