Um homem para o Mundo


Tenho a alegria de ser convidado por grupos de jovens, idosos, profissionais, movimentos e universitários para tentar responder a uma pergunta: como, em pleno século XXI, em qualquer das áreas, pode-se utilizar dos recursos de Comunicação para facilitar nossa vida em sociedade? Esta é uma pergunta que me agrada muito. Na verdade, é a resposta que não pode ser buscada apenas em material bibliográfico, mas na vivência do dia a dia. Das muitas receitas que dou, em sala de aula para meus alunos, uma delas é que, além de ler muito e escrever mais ainda, há a necessidade de desenvolver o senso de observação, reunindo sensibilidade e presteza para registrar o que está acontecendo.

Hoje, a tecnologia faz com que os meios de comunicação se desenvolvam muito, mas fica cada vez mais claro que eles são apenas “meios” e não fins, em si: alguém busca se comunicar; um meio facilita o processo e alguém recebe a mensagem. No que estamos avançando, sensivelmente, é que, hoje, por diversas alternativas – como a telefonia e a internet – esta relação não é mais unilateral, mas pode e deve fechar um círculo, dando retorno ao originário da mensagem.

Mas o que tenho dito nas diversas conversas? Que precisamos ter uma noção de mundo, pois não há mais chances de vivermos restritos às nossas circunstâncias. É o conhecimento de contexto, onde estamos inseridos e onde vamos agir. Uma noção de grupo: as novas “genialidades” não estão mais em alguém capaz de fazer uma grande descoberta individual, mas em conviver e liderar um grupo para algum lance genial.

E uma noção da própria pessoa. Vale o ditado antigo: “saco vazio não para em pé”. Então é preciso investir na educação formal, mas não basta: há muito que ser visto numa formação complementar em que se busca não apenas o aprimoramento técnico, mas também o sentido social do que se está fazendo. A técnica é mutante, portanto ultrapassada a cada dia, mas uma visão crítica de processos não pode ser superada, porque parte de princípios que, estabelecidos, não mudam tão facilmente e tornam capaz de intuir o que “evoluiu” tecnologicamente.

Alguém capaz de contemplar estas três áreas tem todas as oportunidades para a realização pessoal e profissional. Não pensará apenas em si mesmo, porque terá uma visão abrangente, a noção de atuação nas relações sociais e a capacidade de reflexão. Diferentemente do homem que se pregou para o século XX – individualista - será, na verdade, um homem para o Mundo.