Um mutirão para falar de Deus


A Igreja Católica está organizando para o período entre 12 e 17 de julho deste ano, nas dependências da PUC/RS, em Porto Alegre, o Mutirão de Comunicação para a América Latina e o Caribe. Um evento de proporções que deseja promover espaços de diálogo sobre os processos de comunicação, à luz de uma cultura solidária, na construção de uma sociedade comprometida com a justiça, a liberdade e a paz.

No dia 16 de março, estive presente na reunião que ultimou detalhes da participação das 18 dioceses do Rio Grande do Sul, com a presença de 15. A partir de um relatório vindo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, pode-se ver sinais positivos quanto à discussão da comunicação, sempre tão emperrada, quando não ignorada por parte de segmentos religiosos. Há consenso de que não basta discutir os meios de comunicação, mas ter consciência de uma identidade frente ao processo de comunicação e os meios. A partir de obras que tratam da “Teologia da Comunicação”, existe o apelo para que se veja a comunicação como um elemento que perpassa todas as atividades, possivelmente não mais como mais um setor, mas um serviço necessário desde a acolhida àqueles que comparecem às celebrações, até a presença na grande mídia.

Os sinais que estão presentes nas discussões apontam claramente para o momento social, político e econômico como gestor de mudanças significativas onde se faz necessária a presença da Igreja, esclarecendo, orientando e sendo presença efetiva para todos os homens e mulheres de boa vontade. Em todos os momentos, fica claro que a grande temática do evento – “Processos de Comunicação e Cultura Solidária” – não interessa apenas a setores eclesiásticos, mas à sociedade como um todo que não pode abrir mão de ser crítica com relação aos meios que sempre enaltecem a sua independência e autonomia, mas possuem uma forte influência sobre parcelas da população, especialmente em fase de formação ou que têm dificuldade de formar o seu próprio senso crítico.

A presença de especialistas de diversas regiões das Américas enriquecerá o debate com experiências variadas vindas de diversas identidades culturais. Nos documentos emanados dos encontros dos bispos latino-americanos e caribenhos tem se destacado a necessidade da presença da Igreja nas bases, onde estão as comunidades e as capelas, porque é ali que o mutirão pode, mais próximo ao povo, falar de Deus.