Um sinal para a mudança


A permanência do governador de Brasília, Roberto Arruda, na prisão durante o Carnaval não virou samba, mas alenta uma esperança: a de que nem tudo está perdido e há uma expectativa com relação aos poderes constituídos. Infelizmente, diante do descrédito em que se encontram o Executivo, Legislativo e Judiciário, a questão era: em quando tempo um habeas corpus colocaria nas ruas um político corrupto que foi flagrado debochadamente recebendo e oferecendo propinas, com a desfaçatez de quem confia na impunidade? Confiava, porque a Justiça deu um sinal de esperança ao mantê-lo na prisão, embora políticos tenham manifestado insatisfação com a operação da Polícia Federal. Ora, no Brasil se diz que vão para a cadeia os pobres, pretos ou pardos. Pois há uma exceção, que nos remete exatamente àquilo que falávamos antes: um sinal.

O presidente Lula disse que a prisão iria fazer com que outros não façam o mesmo. Infelizmente, não é verdade. O nível de corrupção e de desmandos no país chegou a tal nível que, no máximo, alguns tomarão cuidado, especialmente em se deixarem ser filmados. Mas a repetição das prisões é que pode estancar a insistência com que recursos públicos, com grande facilidade, alimentam a corrupção. Estes mesmos sinais precisam ser vistos em outras áreas, como a educação, o mundo do trabalho e a religião. Tristemente, hoje, grande parcela da população acredita que não há como mudar nossa forma de convivência: pregamos a democracia e vivemos em ambientes autoritários; defendemos a justiça na distribuição de renda, mas as instituições não pagam salários justos; queremos o fim da impunidade, mas achamos que os nossos precisam ser protegidos.

A democracia não é feita de práticas esparsas; o salário mínimo é um avanço, mas ainda não é justo; nossos jovens também estão ao alcance da lei, quando erram por excesso de adrenalina ou consumo de álcool ou drogas. Um sinal para a mudança: sejamos democratas na teoria e na prática; abertos a discutir a justiça salarial e dispostos a não acobertar nenhum tipo de delito, próprios ou não. Este é o sinal de que está no horizonte a cidadania para um maior número possível de brasileiros.