Um tempo para a família


Um amigo teve o final de semana com toda a família em casa. Resultado: stress! Mas, mesmo cansados, na segunda, estavam felizes. Em compensação, no final de semana seguinte não apareceu ninguém, ficaram sozinhos, e a tarde de domingo, em especial, não passava. Na segunda, o sentimento era de frustração. É preciso reconhecer: uma das formas mais difíceis de convívio é em família, onde se conhecem os defeitos (as virtudes sempre são colocadas de lado); as mazelas (entre o despertar e a maquiagem, quanta diferença!) e as manias (quantas temos!)

No entanto, embora um pai, uma mãe, um irmão ou uma irmã não sejam “modelos de perfeição”, quando faltam nos causam um grande estrago. Nenhuma outra relação é capaz de suprir esta ausência. O tempo de infância e juventude deixa marcas e, para nossa surpresa, ao cruzar dos anos as pessoas nos dizem: “como ficastes parecido com teu pai!” ou “como me lembras teu irmão!”

Não são somente as marcas físicas, mas as psicológicas, necessárias numa caminhada em que o amadurecimento, em especial o afetivo, tem que ser capaz de separar o que ajuda a viver melhor, daquilo que atrapalha uma caminhada. A família, básica ou ampliada - com avós, tios, primos etc. – propicia uma experiência única no aprendizado do convívio e do respeito, uma autêntica formadora social.

Quando falamos da necessidade de valorizar e investir na família, não estamos querendo retroceder, pelo contrário, pois o que fizemos foi “involuir”, ao permitir que o núcleo familiar se desfizesse. Ninguém pede que a mulher seja apenas “do lar”, mas lhe dar o direito de optar por acompanhar de perto a formação dos filhos; o direito de o homem ser o arrimo, tendo um salário digno que mantenha durante o tempo necessário uma família; e os filhos saberem para onde podem voltar quando precisam do aconchego de um lar e de um ombro amigo.

Na Semana da Família, não somente os credos religiosos deveriam propor esta reflexão. Está claro que uma pessoa equilibrada é fruto, basicamente, de uma estrutura familiar equilibrada. Mesmo que não existam fórmulas, é visível que não é necessária formação superior ou mesmo um excelente salário para fazer este processo: com pais analfabetos ou doutores, em lares pobres ou em condomínios fechados, os filhos, na maior parte das vezes, querem exemplos e presença. As dificuldades e os transtornos? Estes têm que ser vencidos na caminhada, com um ingrediente que não pode faltar em nenhum momento desta existência: o amor.