Uma economia solidária


Uma das grandes surpresas na virada para o século XXI é de que há poucas chances de se construir qualquer coisa positiva através do individualismo, tornando-se clara a necessidade da solidariedade para gestar conhecimento, viver em sociedade, ou mesmo encontrar novas alternativas para a economia.

Foi o desafio que me lançou um grupo, predominantemente de mulheres, que aposta no trabalho solidário para aumentar seus rendimentos, atuar socialmente e tornar seu produto conhecido.

Pessoas simples, queriam conversar sobre as etapas do processo de comunicação, assim como os passos para o seu relacionamento com o mercado. Em tese, relativamente simples, pois envolve a qualidade do produto, sua apresentação, assim como a capacidade de convencimento. Com simpatia, fizeram uma autêntica oficina onde apresentaram bonecos, peças bordadas, puxa-sacos e uma gama de artesanato feito em pequenos grupos, na periferia da cidade, com a disposição de entrar em nossas casas.

Mas não foram os grupos articulados desta forma que redescobriram a importância do trabalho em conjunto. Muitas organizações profissionais e comerciais – médicos e farmácias – deram-se conta de que ganhariam mais se organizassem em conjunto seus serviços, ou se comprassem produtos em grande quantidade, podendo trabalhar com estoques, através de sistemas cooperativados.

Seguindo a máxima de que “nada se cria, tudo se copia”, estamos recuperando um sistema que funciona, muito bem, em vastas áreas do Estado, onde produtores rurais têm nas cooperativas uma forma, inclusive, de barganhar preços até no mercado internacional. Não creio que as mulheres e homens destes pequenos grupos tenham pensado em ir tão longe. Almejam, a curto e médio prazo, é mostrar para a população o seu produto numa feira a ser realizada no início de dezembro, possivelmente no largo entre a Prefeitura e o Mercado Público de Pelotas.

O mais importante dos depoimentos que ouvi é que elas têm consciência do quanto, separadas, são frágeis, e que, unidas, têm chance de negociar melhores condições de trabalho. Podem ter certeza de que ouvir isto dá uma grande alegria, pois não acredito que as grandes mudanças aconteçam através de reviravoltas estrondosas, mas pela organização e disposição para a luta daqueles e daquelas que são empurrados para a margem da sociedade, mas que não aceitam a sua pura e simples exclusão.