Uma marca cristã na sociedade


Os bispos da Igreja Católica, reunidos durante a Conferência de Aparecida, no ano passado, pediram que os leigos sejam “homens e mulheres da Igreja no coração do mundo e homens e mulheres do mundo no coração da Igreja”. Partindo desta premissa, o leigo não pode, em hipótese alguma, se omitir nas discussões mais amplas da esfera política, assim como a ação específica no dia a dia, inclusive nas estruturas partidárias.

Isto não faz com que a Igreja se incline por este ou aquele partido, mas estimula seus membros leigos a fazê-lo, para influenciar nas mudanças das relações sociais, estabelecendo parâmetros reais de justiça, inclusive no pleito eleitoral. Pois é exatamente neste que temos o direito e o dever de participar e defender nossos valores e nossas causas. Em contrapartida, encontramos aqueles que desejam o “retorno à sacristia”, tolhendo a liberdade de uma ampla parcela da sociedade: os cristãos engajados, dispostos a contribuírem para as mudanças.

Do lado dos cristãos, também se deve deixar de lado certo “purismo”, que leva a olhar desconfiado para o mundo da política e, por isto mesmo, aconselhar a que “não nos misturemos, nem sujemos nossas mãos”. Agir desta forma configura omissão, que eu considero um dos mais sérios pecados, pois quando agimos errado, na maior parte das vezes, não o sabemos e podemos voltar atrás, nos arrependermos. No entanto, a omissão configura a intenção em deixar de fazer algo, o que é bem mais sério.

Quando falta cerca de um mês para a eleição de prefeitos e vereadores, é hora de ouvir o que os candidatos têm a dizer, socializando a informação, conseqüentemente, tornando a eleição mais transparente. Esta é uma das missões dos Conselhos de Leigos das dioceses, por exemplo, buscando aprimorar a presença enquanto cristãos no processo eleitoral.

Que este seja um primeiro passo: não podemos desconhecer que a política está em toda a nossa vida, definindo formas de ação pública, assim como o gasto dos recursos arrecadados através de impostos, que deveriam ser bem investidos e, infelizmente, não o são.

A reflexão dos bispos a este respeito é pertinente, pois, na atualidade, infelizmente, estamos longe de ter uma marca cristã na sociedade. Há carência da nossa presença no seu dia a dia para sermos exatamente aquilo que os bispos pediram: “homens e mulheres da igreja no coração do mundo e homens mulheres do mundo no coração da igreja”.