Uma pedagogia para o Natal


Formatei uma palestra para lideranças de liturgia da Catedral - e utilizei destes elementos quando falei para o grupo de terceira idade do Serviço Social do Comércio - sobre a necessidade de uma “pedagogia para o Natal”. Um jeito de fazer valer o sempre bem vindo e saudável “espírito de Natal”.

Mas porque uma “pedagogia” nesta época tão bonita do ano? Porque precisamos aprender a ver não somente a festa, propriamente dita, nos dias 24 e 25 de dezembro, mas todos os elementos que a antecipam. Este espírito está presente, com maior intensidade, no Advento, quatro domingos antes daquela data, em que as igrejas cristãs fazem a preparação do nascimento de Jesus.

O período, no entanto, permite sentimentos ambíguos: há pessoas que se sentem entristecidas, até deprimidas, pois lhes falta alguém muito próximo e que hoje está afastado, pela distância física ou pela ausência permanente. Então, as datas propriamente ditas, podem ser de baixo astral e carregadas de saudades e lembranças.

Mas, o tempo de preparação se presta para valorizarmos questões para as quais, ao longo do ano, não conseguimos atentar, como a própria família e atitudes de solidariedade. Não significa que em outras épocas também não as valorizemos, mas o próprio espírito das festas, as motivações pelos meios de comunicação, os filmes que são passados, o reencontro com familiares e amigos dá um tom diferenciado para as festas de virada do ano.

Com relação à família, pode ser um tempo especial para estreitarmos ou até recuperarmos contatos com pais, filhos, irmãos, sobrinhos etc. No campo da solidariedade, as campanhas se sucedem, renovadas, como é o caso do apoio aos desabrigados de Santa Catarina, em que se multiplicaram as doações, em função da época e de muitos questionarem: “como eles vão passar o Natal?”

Um pouco mais simples, temos a bela campanha dos Correios e Telégrafos, recebendo as cartas enviadas para o Papai Noel e pedindo que as pessoas se disponham a “ajudar” o bom velhinho a tornar realidade a solicitação de crianças, normalmente muito pobres, que desejam coisas simples como um panetone, uma cesta básica, uma roupa ou um brinquedo.

Sei que, em muitos casos, as pessoas valorizam mais a presença de um Papai Noel comercial do que a vinda de Jesus. Paciência, o sentimento que desejamos ter permanece o mesmo: estreitarmos laços muitas vezes perdidos nos turbilhões da vida e valorizarmos a solidariedade. Este sim, o autêntico espírito de Natal!