Uma atitude de paz


As Igrejas Cristãs deflagraram, a partir da Quarta-Feira de Cinzas, a Campanha da Fraternidade – tradicionalmente organizada pela Igreja Católica – e que este ano desafia a que se reflita a respeito da construção da paz.

Ficou bonito o lema: “Felizes os que promovem a paz”. E mais incitador, ainda, o tema: “Solidariedade e paz”. Mas as Igrejas Cristãs sabem que não bastam apenas boas reflexões – e elas já existem, ao menos em discursos.

Num tempo em que o presidente americano se julga no direito de passar sobre todas as instâncias internacionais e invadir outros países para impor a sua ordem; em que passa a ser público o número dos países que dispõem da bomba atômica (ou da possibilidade de fazê-la); olhar para o cenário internacional – e para o futuro – se constitui em grande preocupação.

Neste momento, passa a ser necessária uma atitude de paz. A paz que não usa de frases enganosas, como: “se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Um absurdo! Bem próprio de quem vive de representações, não se dando conta de que já existe poderio nuclear na Terra suficiente para destruir o próprio planeta.

Então, o que pode ser uma atitude de paz? Em primeiro lugar, erguer a cabeça – ou tirá-la do buraco, como o avestruz – e pensar que representações administrativas estão onde estão porque as colocamos lá. E devem representar, exatamente, os nossos interesses.

As nossas “bombas” estão se armando enquanto não resolvemos nossos problemas sociais e políticos: há uma bomba sendo armada quando a pobreza avança nas periferias das cidades; há uma bomba sendo armada quando se percebe o futuro da previdência social e o desperdício de recursos públicos; há uma bomba sendo armada quando nossos recursos naturais são destruídos pelo pensamento de que, “sendo eternos”, podemos desperdiçá-los.

A Igreja Católica reflete sobre o tema da Campanha da Fraternidade entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Páscoa. Infelizmente, é um desperdício. Este é um tema para ser refletido durante, ao menos, um ano. Na esperança de que, neste período, provoque reflexões e ações. Em especial, uma atitude permanente de paz.