Uma educadora na família


Pena que vi a matéria apenas de passagem e não consegui registrar o nome do livro e seu autor. Mas interessei-me pelo assunto: o tempo gasto com os filhos, especialmente o dedicado pelas mães, no processo de amadurecimento e aprendizado. Vejam: tenho profundo respeito pela atuação da mulher no mercado de trabalho. Ela está, gradativamente, equilibrando a sua presença em números e em nível de salários. E mais, humanizando áreas que o sexo masculino, ao longo da História, mostrou-se incapaz de fazê-lo, inclusive e especialmente, nas atividades públicas.

Então, para o meu gosto, existem ao menos três tipos de mulheres: as que optam por uma profissão e, na maior parte das vezes, querem apenas um companheiro e filhos, se for o caso, somente depois de terem consolidado sua carreira. O segundo, que gostaria de conjugar a vida familiar e uma atividade no mercado, mas se dão conta de que acabam fazendo três trabalhos numa mesma jornada: cuidam da casa, dos filhos e ainda saem para o trabalho “oficial”.

No entanto, há um bom número que apenas saiu de casa porque não teve devidamente valorizada a sua atividade enquanto mãe e dona de casa. Pior: precisavam, em muitos casos desesperadamente, utilizar o salário que trazem para completar a renda familiar. São mulheres, muitas vezes, cansadas e sem perspectivas, porque não conseguem ver os chamados “dias melhores”.

O autor dizia que não bastava “um tempo qualificado para ficar com os filhos”, mas ampliá-lo, aproveitando da melhor forma possível aqueles momentos que, em hipótese alguma, poderão ser recuperados por filhos e pais. Os repórteres foram atrás de depoimentos e mostraram mães que “sacrificaram” carreiras promissoras para acompanhar o crescimento físico, afetivo e emocional dos filhos.

Claro que muitas mulheres têm a vocação para atuar profissionalmente e não lhes deve ser negado este direito. No entanto, deveria se estimular as mulheres que desejam permanecer “do lar” a terem condições financeiras (afinal são tantas bolsas governamentais, porque não uma “bolsa mãe”?) e sejam valorizadas e reconhecidas.

Porque menosprezar quem é “do lar”? Deveria ser ao contrário: uma mulher que deseja exercer a função de educadora da família merece ser apreciada e estimulada. Afinal, nossas referências primeiras estão dentro de casa, de onde saímos e para onde voltamos todas as vezes que desejamos uma palavra de ternura e de estímulo. Sei que não podemos voltar atrás na História, mas que esta é uma parte do tripé educacional que funcionava; funcionava, sim. Mas a mãe foi trabalhar, a religião perdeu sua força e a escola... Bem, já é outra história.