Uma justa homenagem


Na semana passada, afastou-se da vida pública para tratamento de saúde o prefeito Bernardo de Souza. Infelizmente, os problemas que se apresentaram na campanha eleitoral se agravaram, resultando na sua renúncia.

Quem conviveu com o Bernardo sabe das suas inúmeras virtudes na vivência pública, sempre com sua atenção voltada para Pelotas e região.

Tenho uma dívida pessoal para com o ex-prefeito, já que, em seu primeiro mandato, a partir de 1983, trabalhei em sua assessoria e foram os anos do meu aprendizado prático em comunicação e política. Sua sensibilidade para as questões sociais ajudou no aperfeiçoamento da minha atividade profissional.

Por ocasião da eleição de administrador, num determinado distrito, chegamos cedo para preparar tudo quando caiu uma chuva torrencial que afastou os eleitores. Digamos que, no máximo, 20% tenham ido votar. Passamos estes dados para o Bernardo, no final da tarde, no momento da apuração. O autor do programa “Todo o Poder Emana do Povo” destacou sempre a presença daquele “expressivo” número de votantes, valorizando aqueles que tinham participado do pleito. Transformou o limão em limonada.

Reconhecido como um homem que tem conhecimento do processo de comunicação, em muitas ocasiões, bastava dizer o tempo disponível para, em poucos segundos, ajustar seu discurso e dar a mensagem com clareza, compreensível para todas as classes.

Nunca perdi de vista sua carreira política. Chamado pelo governo estadual, em 86, para ser secretário, deixou a Prefeitura, acreditando poder reverter uma situação, então, muito delicada na relação entre administração e magistério. Não o conseguiu e tentou uma candidatura a deputado federal, que não alcançou. Teve a humildade de voltar a Pelotas e pedir votos para deputado estadual, sendo eleito por três vezes. Creio que o coroamento de sua carreira política foi, agora, retornar à prefeitura, com o reconhecimento popular.

Infelizmente, não encerrou seu mandato. Mas deixa inúmeras lições aos que buscam espaço na vida pública. Sua inteligência nunca deixou de estar afinada com um forte senso de ausculta à população. Um indicativo de que o discurso somente para as câmeras não é a solução. É preciso saber lidar com quem está do outro lado, já em muito decepcionado com os políticos.

Bernardo vai fazer falta, num quadro já pobre de lideranças. Que toda energia positiva e nossas orações sejam para o homem que, agora, precisa ter respeitado o seu direito de tratamento e privacidade.