Uma lição da História


Nas declarações dadas ao virar o ano, não importava a idade ou o sexo, o que mais as pessoas pediam era por paz. Em meio a grandes festas públicas, ou nos espaços privados; em grandes multidões, ou apenas na troca de olhar de um casal; do papa ao desdentado vendedor de pipocas: paz.

Não é preciso detalhar este anseio porque está presente no agito de um tráfego que valoriza mais uma máquina do que o homem; no relativizar o valor da vida quando por míseros reais um tiro acaba com um mundo de esperanças; nas relações internacionais em que se fazem guerras por valores, ao menos, confusos.

Aconteceu, de novo, no Iraque. Infelizmente, as lições da História não foram entendidas e a falta de memória da população apóia ações de guerra que nada têm a ver com razões humanistas e democráticos. A morte de Saddam Hussein foi uma aula de hipocresia. Feita numa virada de ano, apenas acirrou ainda mais uma situação de conflito que foge ao controle dos americanos.

Fiquei pensando – não sei se são os resquícios etílicos dos festejos de final de ano – como seria bom se tivesse o poder de, movidos pela mente, poder transportar alguém de um lugar para o outro. Antes de morrer Saddam, levaria para a mesma cela seu oponente George Bush. Janelas e portas fechadas e sem nenhuma câmera indiscreta, deixá-los resolver suas divergências. Imaginaram a cena?

Hoje, ninguém mais acredita que a razão do governo dos Estados Unidos fazer guerra no Iraque tinha tão somente o objetivo de implantar um sistema democrático que beneficie a população. A máquina foi movimentada para não estancar o fluxo de petróleo, os interesses são estratégicos e econômicos.

Neste alvorecer de 2007, o mundo não precisa de um xerife que dite padrões em todas as partes do mundo. Não, o que precisamos é de respeito nas nossas diferenças: Oriente e Ocidente têm uma rica história e mais rica ainda tradição. Tanto lá, como cá, temos nossos malucos, gente incapaz de conviver com a diversidade e que se esconde, inclusive, atrás do discurso democrático para cometer os seus crimes. Infelizmente, a História é escrita pelos vencedores e vemos que, com absoluta cara de pau, algumas lideranças políticas mentem deslavadamente levando a população a entender de forma distorcida os fatos.

Não acredite que a morte de Saddam facilite as coisas. Colocar garganta abaixo valores ocidentais não é a solução. É preciso dialogar, dialogar muito, e quando tudo parece ter chegado a um impasse, dialogar ainda mais.