Uma nova família


Estamos vivendo a Semana Nacional da Família. Do que conta a história, em diversas civilizações, sempre existiu uma figura de referência como “autoridade” (homens, nas sociedades patriarcais; mulheres, nas sociedades matriarcais) e filhos – que obedeciam. Hoje, o modelo clássico de família está sendo questionado. O que deu de errado e colocou em crise relações tão “solidamente” estabelecidas?

É difícil falar de tudo o que mudou, mas fica claro que a figura paterna perdeu o referencial de “autoridade absoluta”. As mães tiveram que deixar o lar em busca de realização profissional ou por necessidade de complementar a renda familiar. E ainda há os casos em que mães viraram “mães e pais”, pois homens se omitiram; separações em que a mulher manteve a guarda dos filhos; pais que morrem cedo e elas arcam com as duas responsabilidades.

Olhando para os discursos religiosos e de grupos que desejam o retorno de um determinado tipo de família, fico preocupado. Infelizmente, o modelo antigo está acabando. Mas há uma boa notícia: há uma nova forma de viver este relacionamento, onde, mais do que a união por laços de sangue, criam-se laços de amizade, de cumplicidade e de co-responsabilidade. O que se vê, então, é que as relações não se estabelecem pela “autoridade”, mas pelo encontro, no filho, de um amigo, um parceiro de vida, ficando claro que enganar é uma péssima idéia e mentir não existe como alternativa.

A característica desta nova era é uma pergunta: “por quê?”. Não há mais verdades que sejam defendidas por pessoas que tem a autoridade absoluta. É preciso estar preparado para responder e, especialmente, vigilante, percebendo momentos em que mais do que dar explicações, é preciso ser um ombro amigo, solidário e cúmplice. Quem disse que, hoje, pais têm “os ditames da verdade” e as “crianças” são meros aprendizes? Cuidado, pais despreparados podem se surpreender com filhos que estão muito mais informados do que imaginam. Isto é bom ou ruim? Nem um, nem outro. É um tempo de transição, onde as crises permitem novos patamares.

Neste caso, é o de que nenhum membro da família precisa sofrer pelos momentos de ausência, mas valorizar cada instante da presença. Já não importa quem é “autoridade” e, sim, viver de forma intensa a felicidade de formar um núcleo que se defende e valoriza, compartilhando valores e referências que servirão para toda a vida.