Uma palmada pedagógica


Poucos dias atrás passou no Congresso Nacional um projeto que tem por objetivo proibir a utilização da palmada. Infelizmente, é o tipo de lei que, não tendo punição para aqueles que praticarem tal “crime” tende a ser inócua.

Embora julgue que os senhores deputados possam ter coisas mais importantes com que se preocupar, não creio que seja de todo inoportuno fazer uma reflexão a respeito.

Como já afirmei em artigo recente, a violência contra a criança é sempre abominável. Deveria prevalecer a argumentação, o convencimento, o diálogo.

Mas, infelizmente, existem casos em que, esgotados todas alternativas possíveis, e na certeza de que o mal é maior se não for corrigido, pode ser necessária uma palmada pedagógica, que, sabe-se, dói mais em quem dá do que em quem recebe.

Dos muitos relatos que podem ser ouvidos de pessoas que receberam, algum dia, este tipo de correção, dificilmente se encontra alguém que diga que isto o marcou negativamente para o resto da vida.

Ela é uma manifestação esporádica, não uma prática do dia a dia; um último “argumento”, não o convencimento diário; uma forma de demonstrar que existem parâmetros a serem respeitados no convívio social.

A deputada proponente afirmava que, a se chegar a este momento, a situação já é de “stress” e que deveria se suspender tudo o que se estava fazendo, para que sejam “acalmados os ânimos”.

A teoria pode ser assim. A prática é que acaba sendo outra. No jogo de tentar, muitas vezes, esticar os limites de resistência que os pais têm para com algumas atitudes menos convenientes, faz com que a criança busque um limite maior. Que, em muitos casos, ultrapassa o tolerável.

Sou antigo, com relação à formação. Creio que pais e educadores têm que se preparar para um procedimento em que eles se fazem referência para o aprendizado, mesmo que seja um processo difícil.

Existem situações em que é necessário muito carinho e muito afeto, mas que não dispensa uma atitude mais firme. E isto não acontece apenas com as crianças. Fui constatando que o mesmo se dá em diversas etapas do processo educacional, mesmo em nível superior.

Claro que não creio que no processo educacional formal possa se apelar para algo tão radical. No entanto, no dia a dia de uma família, em muitos casos, com certeza, pode acontecer que uma palmada faça parte de um processo pedagógico.