Uma praia familiar


É com muito carinho que freqüento, com minha família, a praia do Laranjal. Assim como nós, muitos são aqueles que procuram as tranqüilas areias da Lagoa dos Patos para usufruir de um autêntico espaço de sanidade mental.

Um lugar onde se encontram amigos e conhecidos para um chimarrão, nas manhãs de final de semana, quando se está trabalhando; um espaço para deixar as crianças brincar nas manhãs da semana; um ponto de encontro para os jovens que voltam as costas para a Lagoa a fim de acompanhar o movimento na avenida.

O que, acredito, seja o mais importante é que a Praia do Laranjal é uma autêntica praia familiar. Em todos os momentos, embora exista diversão para os jovens que desfilam de motos, de carros, simplesmente caminham, ou freqüentam os bares, pode se encontrar casais que aproveitam a brisa da noite, acompanhados de seus idosos e de suas crianças.

E por que estou batendo na questão do “ser familiar”? Simples, já não temos muitos espaços que assim podem ser chamados. São raros os lugares em que os públicos de todas as idades encontram seu espaço. E ali é um.

Creio que o poder público deveria direcionar suas ações exatamente para atender às necessidades desta parcela da população. Muitas vezes tentou-se transformar o Laranjal em “point” social e de espetáculos. Não deu certo.

Localizado perto da cidade, é a diversão ideal – e barata – para as classes sociais menos privilegiadas, que, nos finais de semana, lotam as areias em busca de sol e de água para as crianças brincarem. E isto tira o direito de que outros estratos da população usufruam da praia? Com certeza, não. Há uma convivência salutar e democrática.

A administração pública faria bem em sensibilizar seus quadros para atender a demandas simples como: estimular a leitura, através de bibliotecas móveis; investir na área esportiva; ter à disposição serviços de saúde; orientações as mais variadas e dar condições de trabalho àqueles que fazem a segurança - nas ruas e nas águas; limpeza e conservação. Não é preciso fazer muito. Apenas manter o básico e não prometer o que não pode cumprir.

Nem todos possuem imóveis naquele local, ou podem alugar casas ou apartamentos nesta época. Mas são muitos aqueles que fazem um sacrifício para descansar com, ao menos, uma ou outra incursão durante a semana. Paciência: ninguém é de ferro!