Uma prece do passado


As novas tecnologias permitem aos pesquisadores e aos que produzem programas especiais para a televisão reconstituir períodos da História com precisão de dados que auxiliam a entender melhor o que aconteceu aos nossos antepassados. Foi o que chamou a atenção quando um canal investiu em esclarecer um episódio que, para muitos “especialistas”, não passa de uma lenda mítica religiosa: o Êxodo - a saída do povo Hebreu do Egito - atravessando um trecho de área marinha a pé, com a água contida ao seu lado e, depois, o mar voltou ao leito, sepultando cavalos e cavaleiros que o perseguia.

O documentário aponta para elementos registrados por diversos povos, na mesma época, inclusive os egípcios, comprovando a veracidade do evento. Do período em que os Hebreus foram escravos, no entanto, chama a atenção o fato de que eles chegaram livremente àquelas terras, fugindo da fome e da miséria. Ali, multiplicaram-se de tal forma que seus anfitriões ficaram com medo de que tomassem o poder e foram escravizados.

Penaram muito, pois lhes foi dado o pior do serviço braçal que era possível enfrentar. Um deles nas minas onde extraíam materiais preciosos e, depois de “limpas”, acabavam servindo como lugar de moradia, ou de depósito de seres humanos escravos. No entanto, é nas paredes destas cavernas que estão registrados alguns dos elementos mais antigos da nossa “pré-escrita”. Seu nível cultural já era muito bom e, enquanto outros povos somente davam acesso à escrita aos nobres, os “escravos hebreus” deixaram registros do dia-a-dia, suas expectativas e elementos da sua religiosidade.

O mais doloroso diz apenas: “Senhor, salvai-me!” Expressão encontrada diversas vezes nas paredes das cavernas e que, na sua origem, mostrava um homem tiranizado pela força, sem perspectiva de vida, olhando para um vale que seria a sua tumba. A sentença ficou marcada no livro dos Salmos (Bíblia), onde é repetida dezenas de vezes com a mesma intensidade de quem a escreveu, em seu momento de descanso, gritando para a eternidade que nada poderia apagar a sua fé.

Fico preocupado quando se repete a frase de forma burocrática. Embora bem intencionados, apagamos o sentido literal, que era a dor de quem sofre na carne a escravidão e tenta manter a mente aberta e o desejo de encontrar a liberdade em seu próprio Deus. Com certeza, esta é uma oração que pode e deve inquietar nossos espíritos, hoje, como o fez nas escaldantes areias do deserto.