Um Deus gentil


Quando leio os Evangelhos, não posso deixar de pensar duas coisas a respeito de Jesus: a primeira é que ele era uma pessoa bem humorada! E a segunda, possivelmente decorrente da primeira, é de que era muito gentil. Os exemplos se sucedem: nas Bodas de Canã, acabou a bebida e Maria só advertiu: “Eles não têm mais vinho”. Falou o humor: “Mulher, ainda não é chegado o meu tempo”, mas mais forte a gentileza, pois o vinho novo era em tamanha quantidade e qualidade que surpreendeu os convidados.

O encontro com a Samaritana, em que pede de beber e a trata bem, enquanto o seu próprio povo a desprezava, como marginalizava a todas as mulheres e crianças. A própria bênção aos pequeninos que envolviam o Nazareno com seu carinho e pedido de atenção: “o que fizerdes ao menor destes meninos, é a mim que o fazeis!”

Penso nestes atos de gentileza quando experimento a sensação de realização ao fazer pequenas gentilezas: parar o carro e dar preferência a um pedestre; alcançar algo, quando pedido, ou não; auxiliar uma pessoa que tem algum tipo de deficiência, ou pura e simplesmente ouvir alguém. O sorriso recebido aquece o coração, algo que não tem preço e nem como ser medido!

Existe preconceito com relação ao ser gentil: “afetado”, “metido”, “quer chamar a atenção”. Assim como costumes, por exemplo, o de que a mulher “serve” em casa e o homem tem que ser servido, um dos estigmas que sobreviveram numa dependência, que, muitas vezes, o homem - consciente ou não – deixa de vencer. A mulher acha que não fará diferença se tiver que cuidar da casa, criar filhos e trabalhar fora, enquanto o marido cumpre a jornada de trabalho e, depois, quer chinelos e o controle remoto da tv para descansar!

Confesso que me agrada muito quando posso fazer ou assisto a um gesto de gentileza. No rosto de quem fez há uma serenidade e realização incapaz de ser transformada em palavras, pois ser gentil é um estado de espírito. É algo de Deus, como Jesus Cristo, capaz de superar preconceitos com relação àqueles que eram os excluídos em seu tempo. Não somente falou a respeito (embora exatamente este termo não tenha utilizado em suas pregações), mas vivenciou situações em que estava explícita a forma como tinha sido criado por Maria.

Em tempo de preparação para o Natal, talvez possamos fazer um “exercício” nas nossas relações: ser gentil. Vamos descobrir que podemos ser e fazer outros felizes, mais realizados e mostrar ao Mundo que temos um Deus que nos dá um belo exemplo.